quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Nossos Vizinhos Ilustres carnavalescos

É tempo de ...


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A cidade respira o ritmo, o colorido e a alegria da festa.
E a música, claro, composta por nossos vizinhos carnavalescos, que nos ditam o clima.



"Bandeira Branca, Amor
Não Posso Mais
Pela Saudade
Que Me Invade
Eu Peço Paz..."




Imagem relacionada“Bandeira Branca”, a marcha-rancho de Max Nunes e Laercio Alves, de meados dos anos 70, nasceu de um telefonema de Dalva de Oliveira a Max Nunes, dizendo que desde a tumultuada separação de Herivelto Martins, ela vinha alternando bons e maus momentos na carreira. E queria uma marcha de carnaval. Então ele fez Bandeira Branca , que participou do concurso, ganhou, e acabou se tornando o grande sucesso de Dalva. Aliás ela achou até que seria vaiada logo na primeira interpretação. Jamais imaginou que a música fosse se tornar tão popular.

Clique AQUI  ...Convidamos você a passear pelo endereço e histórias de Dalva de Oliveira
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"Yes, nós temos bananas
Bananas pra dar e vender
Banana menina tem vitamina
Banana engorda e faz crescer..."



Imagem relacionadaNa carnavalização da vida nacional, de autoria de um craque do gênero, Braguinha, surgiu a famosa marchinha de carnaval de 1938,
Yes, nós temos banana, gravada por Carmem Miranda, que exaltou, com bom humor, as qualidades da fruta. Sucesso de ontem e de sempre, alegrando os blocos de rua de todo o Brasil.



Clique AQUI ...Convidamos você a passear pelo endereço e histórias de Braguinha!
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"Tomara que chova,
Três dias sem parar, 
... 
A minha grande mágoa, 
É lá em casa 
Não ter água, 
Eu preciso me lavar." 




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O verão de 1950 foi importante para o carnaval. Nessa época, uma forte onda de calor assolava a cidade e chuvas não eram freqüentes. Somado a isso, os cariocas sofriam com a falta de água encanada, devido ao aumento populacional e a falta de investimentos do governo. Angustiados com essa situação, os compositores Paquito e Romeu Gentil resolveram agir. E nada melhor, do que protestar com uma marchinha. Tomara que chova de autoria da dupla, foi o grande sucesso do carnaval de 1951, na voz de Emilinha Borba, que cantou inúmeros sucessos de carnaval.

Clique AQUI .. Convidamos você a passear pelo endereço e histórias de Emilinha Borba!




quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Em Ipanema... o endereço do "General da Banda"



   IPANEMA     



Essa semana tem Banda de Ipanema!

E falar em Banda de Ipanema é relembrar de ...ALBINO PINHEIRO, o sempre comandante da Banda, nosso vizinho ilustre, no bairro de Ipanema, à Rua Almirante Saddock de Sá.

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Fundador da Banda de Ipanema -  que abre oficialmente o carnaval carioca, tradicionalmente, dois sábados antes do sábado de Carnaval -  crítico e pesquisador de música popular foi um festeiro-mor, trazendo pra zona sul a boemia da Lapa e as tradições dos carnavais do subúrbio. Daí ser considerado como um dos mais célebres personagens da música e da vida boêmia do Rio de Janeiro.

A Rua Almirante Saddock de Sá começa na Rua Alberto de Campos e é sem saída.

Foi aberta na urbanização de Ipanema em 1922 e recebeu o nome de Rua 32. Depois foi reconhecida como Rua Almirante Saddock de Sá, pelo Decreto nº 4273, de 4/07/193., em homenagem a um dos heróis do movimento tenentista, no início da década de 1920.

Na altura da rua Gorceix existe uma cancela com guarda particular que impede o acesso sem permissão.

Nesse trecho, Albino Pinheiro foi nosso vizinho ilustre, no terceiro andar do edifício da Rua Almirante Saddock de Sá, 145.





Vale (re)visitar e lembrar mais sobre Albino Pinheiro e seu endereço... AQUI! 

Caminhe pelos seus caminhos... e BOM PASSEIO!



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

IPANEMA e mais um endereço ilustre...



... o de Leila Diniz
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nossa vizinha ilustre  
que morou na linda casa situada 
à Av. Epitácio Pessoa, 204, 
no Jardim de Alah.



 

(RE)LEIA sobre o endereço e Leila Diniz...AQUI! e ...caminhe pelos seus caminhos.


BOM PASSEIO!



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Revisitando... Ipanema


   IPANEMA     

Bairro que foi desenhado por Luiz Rafael Vieira Souto, líder industrialista fluminense, ao contrário de outros bairros, foi projetada e passou a ser ocupada a partir do bonde. Antes era tudo areal. Até a década de 1930, eram enormes as áreas sem nada construído.


No início do século XX, alguns nomes ilustres passaram a morar em Ipanema, entre eles o senador João Leopoldo de Modesto Leal , um dos homens mais ricos da República, dono de grandes áreas de terra na cidade do Rio de Janeiro e acionista de algumas empresas de bonde, entre elas a Companhia de Carris Jardim Botânico. Outros moradores pioneiros foram, respectivamente, o médico José Cardoso de Moura Brasil, o banqueiro José de Chaves Faria e o senador Antônio Ferreira Viana, esses dois últimos também acionista e advogado da empresa de bonde.

A residência mais pitoresca do bairro era, contudo, a da embaixada da Suécia, construída em 1904, na forma de um castelo neomourisco, que todos chamavam de Castelinho. O compositor Ernesto Nazareth também se mudou para lá, nos anos 1920, porque suas finanças apertaram e as terras ali eram baratas. Baratas? Outros tempos.

A música fez de Ipanema um bairro da moda e modismos.Vários endereços do bairro se tornaram ilustres pelos seus moradores.

Revisitando um deles, 
o do jornalista e compositor Ronaldo Bôscoli, 
em uma cobertura na pulsante
Visconde Pirajá, 22.



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Leia mais sobre Ronaldo Bôscoli e seus endereços...AQUI! e ...caminhe pelos seus caminhos.


BOM PASSEIO!



sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

COPACABANA e outro endereço ilustre



O bairro de Copacabana nem sempre foi tão visitada, seja por moradores cariocas, ou por visitantes, inclusive internacionais. Isso porque o bairro tinha um acesso complicado. Antigamente, o que havia lá era a pequena Igreja de Nossa Senhora de Copacabana e poucas chácaras e sítios perto da praia.Essa situação mudou em 1892, com a inauguração do Túnel de Copacabana (atualmente, Túnel Alaor Prata/Túnel Velho). Com ele, o bairro se integrou melhor com os outros cariocas...

...e se tornou local escolhido por muitos políticos, artistas e personalidades para morar.


Um endereço ilustre de Copacabana é o de...Abraham Medina,
na Rua Décio Villares, 265, Bairro Peixoto.

Em 30 de novembro de 1955 ele inaugurava o estabelecimento que seria sua marca registrada no Rio de Janeiro: a grande casa batizada como Rei da Voz, localizada nos números 30/40 da Rua Uruguaiana, o espaço antes ocupado pelo Rei das Louças.
Queria luxo, modernidade, visibilidade e diferenciação de todas as concorrentes, e assim dotou a loja de amplas fachadas e letreiros enormes. Nela havia de tudo, desde televisores, geladeiras, equipamentos de som e liquidificadores até um bar para descontração dos clientes, todos atendidos por dez vendedores, todos bem jovens e atraentes.
O Rei da Voz logo se tornou a maior rede de lojas do gênero do Rio de Janeiro, uma potência em recordes de vendas e pioneira na comercialização de discos e na venda de inéditos artigos de luxo na época.



Leia mais sobre esse NOSSO VIZINHO ILUSTRE... AQUI e ...caminhe pelos seus caminhos.


BOM PASSEIO!




sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Endereço ilustre de COPACABANA



Passear pelo bairro de Copacabana 
é encontrar endereços de pessoas 
que fizeram a história da cidade. 

Ruas e calçadas que conviveram com moradores, em tempos diferentes, como Carlos Drummond de Andrade, Maria Sabina de Albuquerque, Mário Lago, Dorival Caymi, Álvaro Moreyra, Clóvis Bornay e tantos outros

Mariazinha Guinle é uma delas. Casada com um dos irmãos Guinle -  Otávio Guinle, - irmãos que tanto fizeram pela Cidade Maravilhosa, construiu uma importante história carioca à frente do Copacabana Palace.



Em crônica no Jornal do Brasil, o jornalista Zózimo Barroso do Amaral a ela deu destaque


Clique para ampliar e ler






(Re)Leia mais... AQUI!

BOM PASSEIO!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Revisitando ...o Catete


 CATETE     

Bairro que se destaca pela quantidade de sobrados e casarões antigos construídos -  muitos deles tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) -  guarda a memória de uma época áurea, quando grandes produtores de café – principal produto de exportação brasileiro na virada do século XIX para o XX – fizeram ali suas mansões, a partir de 1840.

Quem escolheu o Catete para morar e por lá viveu com muito orgulho, 
foi o pintor carioca DI CAVALCANTI. 

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Certa vez Stanislaw Ponte Preta foi visitá-lo e a ele perguntou porque escolhera aquele ponto tumultuado. Di respondeu: 

" Porque ao chegar lá na rua, a qualquer hora, conheço todas as pessoas. Sei pelas caras o que elas fazem,o que elas pensam, o que elas riem, o que elas sofrem"


Clique  DI CAVALCANTI
leia e/ou releia esse NOSSO VIZINHO ILUSTRE
e ...caminhe pelos seus caminhos.

BOM PASSEIO!




quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Laranjeiras, Cosme Velho...bairros de muitos vizinhos ilustres ...





... como Machado de Assis, Augusto Rodrigues, Bárbara Heliodora, Eugênio Gudin, Almirante Tamandaré, tantos outros. Como a carioca Cecília Meireles.





















Passeando pelo bairro do Cosme Velho, revisitamos 
a primeira voz feminina de grande expressão na literatura brasileira, 
que tinha a musicalidade de seus versos, como uma das marcas do seu lirismo,

Clique e curta!

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Imagem relacionada

Na biblioteca de sua casa, 
no sobrado da casa contemplando a paisagem 
ou passeando e apreciando as belezas do bairro, 
como o Largo do Boticário, 
 Cecília conviveu com o Cosme Velho.

Bom passeio!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Continuando o passeio ...


...por Ipanema, 

revisitamos...RUBEM BRAGA e  MILLÔR FERNANDES

O primeiro considerado o mestre da crônica, o outro dos maiores frasistas e 
em comum, o jornalismo, vizinhos, amigos, a maestria dos textos.


Millôr certa vez disse

" ...minhas relações de vizinhança com Rubem Braga... Quando eu fui trabalhar num extremo da praça (General Osório) ele já morava no outro. Ipanema era aprazível, tinha um gabarito de quatro andares (seis com pilotis e coberturas) e os edifícios do Rubem e o meu, por sua localização especial, eram dos pouco mais elevados. Do meu eu avistava Ipanema e o mundo. Inclusive a Lagoa Rodrigo de Freitas, o mar, o Corcovado e o Pão de Açúcar...O Rubem, do seu, dominava urbi et orbi e, mais importante do que tudo, me via! Todas as manhãs nos saudávamos, efusivamente. A distância não permitia troca de palavras mas trocávamos sinais semafóricos..."
                                                                                                                   desenho de Millôr




Clique para (re)ler Rubem Braga e Millôr Fernandes
e ...caminhe pelos seus caminhos.



Outra curiosidade:

Certa vez, Millôr reformou seu apartamento. O mestre de obras era um português de poucas letras. Ao ver a imensa pilha de livros retirada do escritório e amontoada no corredor, o português exclamou:”Quanta ignorância!”



BOM PASSEIO!




domingo, 1 de outubro de 2017

OUTUBRO...UM ANO DE BLOG





“A cidade do Rio de Janeiro precisa de sonho. 
Mas não basta sonhar. 
É preciso encarar o desafio de que 
a cidade precisa ampliar as vozes 
e os territórios que dizem 
o que é o sonho carioca”.

                                                     Marcos Faustini  - O Globo 28/08/2017


Ao completar um ano no ar, Nossos Vizinhos Ilustres lança um novo olhar sobre os endereços de personalidades que fazem parte da história do Rio e que este blog se propôs a resgatar.

Durante onze meses, apresentamos, semanalmente, personagens cariocas de nascimento ou de coração que, ao escolherem esta cidade como moradia, tiveram suas vidas ligadas à própria história da cidade.

Foram músicos, poetas, escritores, empresários, humoristas, selecionados segundo um tema mensal relevante, cujas vidas e obras, independente da época, fizeram do Rio a “Cidade Maravilhosa”, a começar pelo autor de nosso hino, o tão esquecido André Filho.

A partir deste mês, vamos recordar alguns destes ilustres moradores do Rio , segundo seu bairro de residência, imaginando a convivência desses personagens com seus vizinhos, às vezes em uma mesma quadra, e a possibilidade de que, a partir deste olhar, surjam novos roteiros culturais e turísticos da cidade. 

Desejamos a todos um bom passeio.
Memória é Vida. 

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       Começamos... REVISITANDO IPANEMA     


Lugar preferido de muitos turistas,que seguem o roteiro  da praia famosa
e do estilo de vida descontraído que respira moda, gastronomia, bicicleta na ciclovia,
caminhadas e água de coco nos quiosques da orla.

Lugar para um novo roteiro de calçadas e ruas
onde (con)viveram muitos vizinhos ilustres. 

Como a parceria Tom Vinicius .

Sua canção GAROTA DE IPANEMA
composta em 1962, esse ano completa 55 anos.

Clique nos seus nomes, 
leia e/ou releia esses parceiros na vida e na canção,
e ...caminhe pelos seus caminhos.

BOM PASSEIO!





domingo, 24 de setembro de 2017

OLAVO BILAC


  . Rua Barão de Itambi , 35 - Botafogo 


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Jornalista e poeta foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras e ocupou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.

Eleito "príncipe dos poetas brasileiros", pela revista Fon-Fon, em 1907 - a festa foi em 21 de julho -  Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac, o carioca Olavo Bilac (1865-1918), autor de alguns dos mais populares poemas brasileiros, é considerado o mais importante de nossos poetas parnasianos.


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revista O Malho

Olavo Bilac deu preferência às formas fixas do lirismo, sobretudo ao soneto. Suas poesias revelam uma grande emoção e um certo erotismo.

"Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira
E aplaque o meu desejo
Ferve-me o sangue:
Acalma-o com teu beijo."

Em seu primeiro livro, Poesias, encontram-se poemas famosos, entre eles o soneto Via Láctea - “Ora (direis) ouvir estrelas! ..."

Assinou, também, com os mais variados pseudônimos - entre os quais os de Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc - excelentes matérias humorísticas e satíricas na imprensa do tempo do Império e dos primeiros anos da República.

O primeiro registro de Bilac na Confeitaria Colombo foi por ocasião do sexto aniversário da casa, quando faz um brinde registrado pela imprensa. Bilac que com seu grupo de literatos costumava frequentar a Confeitaria Paschoal - desentendeu-se com o gerente, prometendo nunca mais lá botar os pés - transferiu-se com todos os seus amigos da roda , a nata boêmia e literária da cidade, para a Colombo. 

Observadores inteligentes, com grande senso de humor e muita criatividade, os literatos boêmios foram os precursores da propaganda rimada e cantada. Olavo Bilac  fez muitos versinhos para a Confeitaria Colombo sob o pseudônimo de Puck.

Muita gente ía à Colombo para conhecer poetas e prosadores. Olavo Bilac foi a figura de maior brilho e prestígio literário na Colombo , "gentleman mais que perfeito", Bilac demonstrava a "poesia de viver" até no trajar.

" Os novos perdem o dom da palavra 
quando lhe apertam a mão 
pela primeira vez 
e os velhos falam-lhe 
como a um grande mestre"

                                                               Luis Edmundo, escritor e cronista da cidade

Ainda que nunca tenha deixado de se considerar um poeta, Olavo Bilac foi mudando suas atitudes e interesses ao longo de sua trajetória profissional. À parte o poeta, Bilac, entretanto, foi um dos mais expressivos jornalistas da virada para o século XX. Durante 20 anos escreveu para a imprensa, seja em pequenos jornais, grandes folhas ou revistas, sempre mostrando um texto marcante e moderno. Em milhares de crônicas, o ourives das palavras mostrou-se também um escritor de notícias.

Olavo Bilac viajava muito, mas sempre que regressava ao Brasil havia festa na Colombo. Ele dizia, aliás, que só se sentia mesmo no Brasil, quando por aqui pisava na Colombo. Por lá chegava às 5 da tarde - O poeta era tão pontual para os diários chás da cinco que os funcionários sempre acertavam os relógios da casa assim que ele chegava. - e preferia uma cadeirinha no canto esquerdo do salão térreo, quando " tomava cajuadas ou inundava-se de Caxambu", segundo o amigo Bastos Tigre.

Da população em geral, entretanto, Olavo Bilac tinha os aplausos, sendo mesmo uma celebridade da Belle Époque. A chegada do poeta parava a confeitaria Colombo, onde era idolatrado. 

Eram tempos em que venerava-se o Barão do Rio Branco; aplaudia-se Rui Barbosa; amava-se Olavo Bilac.



Na festa da Colombo, em 1955, quando houve o centenário de nascimento de Olavo Bilac, este foi homenageado com uma placa comemorativa na entrada da casa.
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No Passeio Público, há um busto em bronze e granito de Petrópolis, de Olavo Bilac, feito pelo artista Humberto Cozzo.

Olavo Bilac faleceu aos 53 anos. Dois anos antes se encontrou, em uma mesa da Colombo, com Carlos Maul Lima Barreto, amigos da roda, para dali partirem até o cartório do tabelião que lavrou seu testamento. Solteiro, sem herdeiros, Bilac deixou 300 mil réis de vencimentos como Inspetor aposentado, para sua irmã Cora.





Olavo Bilac foi nosso vizinho ilustre de Botafogo, à Rua Rua Barão de Itambi, 35, terreno onde hoje existe o novo prédio da Fundação Getúlio Vargas.













Bilac em seu escritório e nas escadas à porta de sua casa

Uma curiosidade

Martins Fontes, com muita graça e no seu estilo tão próprio, relata no livro Colar Partido um caso curioso, que teve a participação de Bilac e seus companheiros.

"Bilac tinha o gênio da pilhéria. Uma vez fomos à sua casa numa das nossas visitas literárias. Resolvemos fazer-lhe uma farsa e tomamos ares circunspectos. Bilac recebeu-nos sem saber do que se tratava, mas porque tinha o dom divinatório, friamente, interrogou: 

– De que se trata, meus caros senhores?
Goulart de Andrade então lhe disse: 
– Caro chefe, o nosso partido vem oferecer-lhe a presidência da República, para salvarmos a pátria.
 Bilac aceitou o posto de sacrifício. E começamos os trabalhos para a organização do ministério. 
A equipe era só de intelectuais:

Coelho Neto – Ministério da Marinha
Thomas Lopes – Ministério das Relações Exteriores
Raymundo Correia – Ministério da Justiça
Goulart de Andrade – Ministério da Aviação
Alberto de Oliveira – Ministério da Agricultura
Luís Delfino – Ministério das Finanças
Gregório Fonseca – Ministério da Guerra
Marcolino Fagundes & Guimarães Passos - Secretários do Presidente
Martins Fontes – Saúde Pública
Leal de Souza – Chefatura de Polícia
Annibal Theophilo – Central do Brasil
Augusto Maia – Instrução Pública
Nélson Líbero – Banco do Brasil
Alcides Maya – Biblioteca Nacional
Henrique de Holanda – Introdutor Diplomático 
Bastos Tigre – Instituto Nacional de Música "

domingo, 17 de setembro de 2017

JOSÉ LINS DO REGO


  . Rua General Garzon,  10  - Jardim Botânico  

Imagem relacionadaFrequentador assíduo da Confeitaria Colombo, José Lins do Rego ( 1901-1957) é considerado um dos maiores ficcionistas da língua portuguesa e mestre do regionalismo. O escritor assim se descrevia:
“Não gosto de trabalhar, não fumo, durmo com muitos sonos, e já escrevi 11 romances. Se chove, tenho saudade do sol, se faz calor, tenho saudade da chuva. Tenho os poderes de Deus, e fui devoto de Nossa Senhora da Conceição. Enfim, literato da cabeça aos pés, amigo dos meus amigos e capaz de tudo se me pisarem nos calos. Perco então a cabeça e fico ridículo. Afinal de contas, sou um homem como os outros e Deus permita que assim continue”.
José Lins do Rego Cavalcanti era filho de fazendeiros e foi criado pelo avô em um engenho de açúcar no interior da Paraíba. Romancista da decadência dos senhores de engenho, sua obra baseia-se em memórias e reminiscências e descreve um sistema econômico de origem patriarcal, abordando também outros temas da cultura nordestina como o cangaço e o misticismo do povo.

Casa do Engenho do Corredor, Pilar- Paraíba.
Local de 
nascimento de José Lins do Rego. 


Em 1912, publicou seu primeiro artigo em um jornal de João Pessoa, e, em 1920, já estudante de direito em Recife, passou a assinar uma coluna literária no jornal “Diário do Estado da Paraíba”. Seu primeiro livro, publicado em 1932 e custeado com recursos próprios, foi “Menino do Engenho”, que recebeu o Prêmio da Fundação Graça Aranha e tornou-se um grande sucesso.

Nascido no Engenho Corredor, no município de Pilar, em 1901, formou-se advogado no Recife, trabalhou em Manhuaçu, MG, como promotor público, em Maceió, como fiscal de bancos, até ser nomeado fiscal de consumo, em 1935, e ser transferido para o Rio de Janeiro, onde foi nosso vizinho ilustre em dois bairros: Botafogo e Jardim Botânico. Residiu primeiro na Rua Álvaro Chaves, em Botafogo. E, depois, por muitos anos no Jardim Botânico, meio Lagoa, em uma casa construída pela família, na Rua General Garzon, 10, que é tema do livro “Garzon 10 e outras histórias” de autoria de sua filha, a embaixatriz Maria Christina Veras, e onde funcionou por muitos anos a Escola do Pão.



desenho da fachada da casa da General Garzon,
quando era residência de José Lins do Rego



 casa da General Garzon, nos últimos tempos,
como Escola do Pão, antes da demolição



A casa era tratada como uma extensão do latifúndio do avô, no qual fora criado no Nordeste. Uma parte dos móveis vieram de lá. Duas cadeiras, mesa e um sofá e na cozinha, na falta de um relógio de parede, posava um Patek Philip de bolso em ouro que também ficara de herança. Uma casa do tempo em que as casas tinham galinheiros e os cavalos do Jockey passeavam tranquilamente pelas ruas.
A partir da publicação de seu segundo livro, “Doidinho”, o escritor foi contratado pela Editora José Olympio e passou a publicar um romance por ano: “Banguê”, em 34, “O Moleque Ricardo”, em 35, “Usina”, em 36, “”Pureza”, em 37, “Pedra Bonita”, em 38, e “”Riacho Doce”, em 1939, tema de uma minissérie da TV. “Histórias da Velha Totonha”, ilustrado pelo famoso artista plástico Santa Rosa, foi seu único livro destinado ao público infantil.

Destacou-se como cronista, tendo assinado mais de mil e quinhentas crônicas, entre 1945 e 1957. Em sua coluna “Conversa de Lotação”, publicada em O Jornal, da cadeia dos Diários Associados, tratava tanto sobre a cidade quanto sobre os filmes que assistia nos cinemas.

Já em sua coluna do Jornal dos Sports, “Esporte e Vida”, falava sobre futebol, tema que galvanizava o então Distrito Federal.

Resultado de imagem para jose lins do rego e os dragões negros Zizinho, de 23/04/1947

José Lins do Rego foi responsável por fomentar esta discussão diária sobre futebol,
 com a criação de uma confraria de torcedores do Flamengo,
chamada Dragões Negros.

José Lins do Rego Flamengo - Pesquisa Google
José Lins do Rego e o "manto sagrado"

Se sua confraria literária se reunia na Livraria José Olympio, situada na Rua do Ouvidor, a confraria esportiva se reunia na Confeitaria Colombo, na Gonçalves Dias, reunindo, em uma mesa cativa, personalidades ilustres ligadas ao clube, como Ary Barroso, Fadel Fadel, Gilberto Cardoso.


Eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 1956, viu sua obra traduzida para outros idiomas, adaptada para o teatro, para o cinema e para a TV, e tornou-se um escritor de grande prestígio. “Fogo Morto” é considerado sua obra-prima e “Cangaceiros”, publicado em 1953 e ilustrado por gravuras de Cândido Portinari, foi seu último romance, enquanto “Meus Verdes Anos”, um livro de memórias, foi sua derradeira obra, publicado em 1956, um ano antes de sua morte no Rio de Janeiro.


Curiosidade:

Em seu discurso de posse na ABL, referiu-se ao seu antecessor, o ministro do Supremo Tribunal Federal Ataulfo de Paiva, como alguém que “chegou à Academia sem nunca ter gostado de um poema”. A partir desta fala, todos os seus discursos na ABL passaram a ser previamente censurados.