sábado, 22 de abril de 2017

MARIA CLARA MACHADO e ANIBAL MACHADO


 .Rua Visconde de Pirajá, 487 -  Ipanema  



Autora de famosas peças infantis e fundadora do Tablado, escola de teatro do Rio de Janeiro, Maria Clara Machado (1921-2001), filha do escritor, professor e homem de teatro, Aníbal Machado (1894 - 1964) nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, mas aos quatro anos de idade veio morar em Ipanema.

Quando ela era criança, sua casa era um ponto de encontro de intelectuais, amigos de seu pai – nas palavras dela, "Um romântico comunista". Entre os grandes nomes que frequentavam as reuniões estavam Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Di Cavalcanti, Goeldi, Guignard, Portinari, Otto Lara Rezende, Rubem Braga, João Cabral de Melo Neto, Moacyr Scliar e Tônia Carrero. Até passaram por lá Albert Camus e Pablo Neruda.

Em 1951, ela fundou uma das maiores escolas de teatro do Brasil, o Tablado. Considerada a maior autora de teatro infantil do país, Maria Clara Machado escreveu quase 30 peças infantis, sendo “Pluft, o fantasminha”, de 1955, sua obra mais completa e o texto mais montado em teatro, também lançado na TV e no cinema.

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 cartaz da peça, de 1955

Recebeu vários prêmios ao longo de sua vida, inclusive o Prêmio Machado de Assis, em 1991, dado pela Academia Brasileira de Letras (ABL) pelo conjunto de sua obra.



Aníbal Machado apesar de sua atuação no meio literário, o primeiro livro, um ensaio sobre cinema, surgiu apenas em 1941, quando já tinha 46 anos.

 Na ficção, sua estreia em livro foi Vida Feliz, em 1944. Destacou-se como contista com textos antológicos, como Tati, a Garota e A Morte da Porta-Estandarte, que na década de 1960 ganharam versões para o cinema, com colaboração do próprio Aníbal nos roteiros. Um grande sucesso das telenovelas da Rede Globo - Felicidade, de 1991- foi a adaptação de Manoel Carlos para vários contos de sua obra.

Atuou também na crítica, em diversos periódicos, entre as décadas de 30 e 60, abrangendo estudos sobre literatura, artes plásticas, cinema e teatro.





Maria Clara e Aníbal Machado foram nossos vizinhos ilustres da famosa residência da Rua Visconde de Pirajá, 487, em Ipanema.  Aníbal Machado é lembrado até hoje por sua capacidade criativa e de agregar e manter à sua volta todos os talentos possíveis que marcaram e surgiram em uma  Ipanema mágica. Acolhia as famosas "domingueiras do Aníbal", em que todos eram bem vindos e discutia-se Freud e Kafka com a mesma energia com que se dançava foxtrote e boogie woogie. 

Essas reuniões semanais que, de 1935 às vésperas da morte, ele promoveu em sua casa, começaram, primeiro,  na Rua Francisco Sá, 12, onde residiu em Copacabana, e  depois  em Ipanema. Sempre ao lado das seis filhas (entre elas, Maria Clara Machado) e de Selma, a cunhada com quem se casou ao enviuvar de Aracy.

Curiosidade

Aníbal Machado foi também... jogador de futebol e participou do primeiro time titular do Clube Atlético Mineiro, em 1909, entrando para a história do clube por ter marcado o primeiro gol da história do Clube Atlético Mineiro.Quando jogava no Atlético, Aníbal Machado tinha o apelido de Pingo.


sábado, 15 de abril de 2017

PLINIO DOYLE



 . Rua Barão de Jaguaripe, 64 - Ipanema  


Em seu primeiro livro, a autobiografia Uma Vida, Plinio Doyle (1906 - 2000) recorda suas visitas ao centro da cidade. Nos anos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ele acompanhava o pai para saber as últimas notícias do conflito.

"Depois do jantar, costumava pegar com meu pai o bonde Ipanema/Túnel Velho, que passava em frente à nossa casa, na Rua General Polidoro, em Botafogo, e ia até a Galeria Cruzeiro, na Avenida Rio Branco. Lá, na porta do jornal O Paiz, conseguíamos obter notícias do dia: um jornalista com letra boa escrevia num quadro- negro enorme, pendurado na porta do jornal."

Aos 19 anos, quando escolheu a carreira que iria seguir, Plínio Doyle, não imaginava que a paixão pelos livros lhe daria notoriedade. Apesar de ter sido advogado de grandes editoras, como a José Olympio, e procurador da Fazenda Nacional, foi sua "profissão" de bibliófilo que o levou a colecionar 25 mil volumes de literatura brasileira, entre livros, jornais e revistas. E a ficar amigo de escritores como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Afonso Arinos, José Lins do Rego e Otto Lara Resende, entre outros.

Sentado em seu escritório no apartamento de Ipanema, cercado de livros e de fotos, Plínio Doyle relembra o início: "ao ler um elogio de Machado de Assis a uma peça de José de Alencar chamada “Mãe”, resolvi adquirir a obra. Fui então ao centro da cidade procurar a peça do Alencar e comecei a frequentar a Livraria Quaresma, um sebo na Rua São José". Ele se lembra também de ter lido, aos 11 anos, Dom Casmurro, de Machado de Assis.

Desde a infância, Plínio foi um leitor contumaz, influenciado pelo pai, Leopoldo Doyle Silva, funcionário público e professor de matemática. Foi justamente de Machado de Assis que Plínio amealhou o maior número de livros: 630 volumes, incluindo 75 traduções.

Em 1986, para avaliar o verdadeiro tesouro que tinha em casa, Plínio Doyle contou com a ajuda de Carlos Drummond de Andrade, um de seus melhores amigos, fundador do sarau literário semanal que, por reunir escritores no sábado na casa de Plínio, foi batizado pelo poeta Raul Bopp de sabadoyle. As primeiras reuniões foram iniciadas em 1964, na casa em que Plínio morava (nosso vizinho ilustre em Ipanema) na rua Barão de Jaguaripe, 64 e  mais tarde, o sabadoyle, frequentado por cerca de 15 escritores, passou a ser no apartamento-biblioteca, ao lado da casa, na rua Barão de Jaguaripe, 72 apartamento 201.

Dos sabadoyles, participavam, além de Drummond, Pedro Nava, Afonso Arinos, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Homero Homem, Cyro dos Anjos e Raul Bopp, entre outros escritores.

Em 1988, sua biblioteca - que tinha 300 volumes só da obra de Carlos Drummond de Andrade - foi vendida para o Ministério da Cultura e então transferida para a Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio.
Coleção Plínio Doyle
Conjunto de cerca de 25.000 livros e 1.788 títulos de periódicos, alguns de extrema raridade, formado pelo seu criador ao longo de mais de 60 anos de persistente pesquisa. Inclui prosa, poesia, ensaios críticos, edições de arte, traduções, bem como revistas e jornais literários dos séculos XIX e XX.
Dentre os livros, cerca de 3.000 são considerados obras raras, havendo inúmeras primeiras edições e muitos exemplares com dedicatórias autografadas.

Doyle foi presidente do Sindicato dos Escritores, diretor da Biblioteca Nacional e tem em sua biografia o fato de ter criado uma academia de letras, sem fardão e sem jeton, que, ao contrário da Academia Brasileira de Letras, pôde contar com Carlos Drummond de Andrade entre seus membros.

Plínio guardou 12 volumes de atas do sabadoyle. Em 34 anos, ele faltou a apenas duas reuniões: uma, em 1985, porque estava no hospital, e a outra, em 1981, porque foi visitar sua única filha, Sônia, em Brasília, logo depois do falecimento de sua mulher Esmeralda.

Fotos de sabadoyles
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Da esquerda para direita, em pé: Péricles Madureira de Pinho, Severo da Costa, Maximiano de Carvalho e Silva, Homero Homem, Peregrino Júnior, Esmeralda Doyle, Pedro Nava, Carlos Drummond de Andrade, Joaquim Inojosa,Bernardo Élis, Jesus Belo Galvão, Américo Jacobina Lacombe, Paulo Berger, Mário da Silva Brito, Olímpio Monat;sentados: Fernando Monteiro, Raul Lima, Álvaro Cotrim, Sonia Doyle, Gilberto Mendonça Teles, Plínio Doyle, MuriloAraújo, Rita Moutinho Botelho, Alphonsus de Guimarães Filho, Horácio de Almeida e Raul Bopp.


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 Depois de 1.708 reuniões, os encontros deixaram de acontecer em 1998. Plínio já se sentia cansado para receber os convidados.

"Só não falávamos de política e religião porque são assuntos complicados,
que podiam gerar polêmica. Talvez, por isso, o sabadoyle tenha durado 34 anos".

Doyle morreu no Rio, aos 94 anos, de insuficiência respiratória decorrente de uma pneumonia.



domingo, 9 de abril de 2017

ALBINO PINHEIRO



 . Rua Saddock de Sá, 145 - Ipanema  

Em 1959, o artista plástico Ferdy Carneiro convidou alguns amigos para passar o feriado em Ubá , dentre eles Albino Pinheiro( 1934-1999).

Lá ficaram deslumbrados com a irreverente Philarmônica Em Boca Dura, grande atração do carnaval local: cavalheiros de ternos brancos surrados e damas em vestidos senhoriais que ostentavam instrumentos que não faziam a mais vaga ideia de como tocar (uma outra banda “verdadeira”, discretamente, fazia o trabalho). Seis carnavais mais tarde, uns 30 gatos pingados, capitaneados por Ferdy e Albino se inspirariam na verve zombeteira e anárquica da Philarmônica para fundar a Banda de Ipanema.

Albino Pinheiro foi um homem que teve o Rio na alma.

Procurador do Estado, ficou conhecido por ações, não as da justiça, mas as culturais que promovia com enorme sucesso como o projeto Meio-dia e meia e o  Seis e Meia, que durante 22 anos, a partir dos anos 70, atraiu multidões à Praça Tiradentes, no Teatro João Caetano , e reuniu a nata da MPB.

Crítico e pesquisador de música popular foi um festeiro-mor, trazendo pra zona sul a boemia da Lapa e as tradições dos carnavais do subúrbio. Daí ser considerado como um  dos mais célebres personagens da música e da vida boêmia do Rio de Janeiro


Albino Pinheiro foi nosso vizinho ilustre, no bairro de Ipanema
no terceiro andar da Rua Saddock de Sá, 145.


Da esquerda para a direita,
Elizabeth e Gilda à porta do prédio de Albino Pinheiro

Diziam que Albino era movido por quatro paixões: cerveja, carnaval (era portelense), futebol (torcia pelo Fluminense) e sua única filha Paula Pinheiro. Foi considerado pelo jornalista e escritor Fausto Wolff como " o maior prefeito que essa cidade já teve sem nunca ter sido prefeito" e " maior poeta que não escreveu um verso e maior compositor que não escreveu um samba".

No cinema, o documentário Folia de Albino , do ano 2003 (do também cofundador da Banda de Ipanema e falecido cineasta Paulo Cesar Saraceni), traz uma série de depoimentos sobre Albino.

Em 2008, a Escola de Samba Alegria da Zona Sul, apresentou como enredo "CHEGOU O GENERAL DA BANDA! ALBINO PINHEIRO, A ALEGRIA DO RIO"



Curiosidade

Albino Pinheiro costumava dizer que no Rio de Janeiro jamais morreria sozinho. Dito e feito. Cantando e chorando a Banda de Ipanema o acompanhou ao cemitério João Batista.



sábado, 1 de abril de 2017

O blog tem como tema em ABRIL ... 

que faz aniversário neste mês.

A cada semana um nome identificado com o bairro!

NOSSOS VIZINHOS ILUSTRES de ABRIL

. Millor Fernandes
. Albino Pinheiro
. Plinio Doyle 
. Maria Clara Machado e Aníbal Machado

MILLÔR FERNANDES



 . Avenida Vieira Souto, 594, cobertura -Ipanema  


Resultado de imagem para millôr fernandesDesenhista, tradutor, jornalista, roteirista de cinema e dramaturgo, Millôr Fernandes (1924-2012)  foi um raro artista que obteve grande sucesso, de crítica e público.

Millôr sempre fez piada em relação ao seu registro de nascimento. Costumava brincar que percebeu somente aos 17 anos que o seu nome havia sido escrito errado na certidão: onde deveria estar Milton, leu “Millôr” (o corte da letra “t” confundia-se com um acento circunflexo, e o “n” com um “r”). Seja como for, gostou do novo nome e o adotaria a partir de então. “Milton nunca foi uma boa escolha”, comentaria anos mais tarde, durante uma entrevista. A data de nascimento também não estaria correta: em vez de 27 de maio de 1924, ele teria nascido em 16 de agosto do ano anterior.


Seu pai, engenheiro emigrante da Espanha, morreu em 1925, com apenas 36 anos. A família começou então a passar dificuldades e sua mãe lutou bravamente para poder sustentar os quatro filhos. Apesar do aperto, Millôr teve uma infância feliz, ao lado de dez tios, 42 primos e primas e da avó italiana Concetta de Napole Viola. A chegada ao Brasil das histórias em quadrinhos, em 1934, fazem Millôr dar vazão à criatividade e, sob a influência de seu tio Antônio Viola, tem seu primeiro trabalho publicado em um órgão da imprensa -  O Jornal, do Rio de Janeiro -  tendo recebido o pagamento de dez mil réis.

Em mais de meio século de atuação permanente na imprensa, no teatro, na literatura e nas artes plásticas tornou-se uma das maiores personalidades de seu tempo. Combativo (“hay gobierno, soy contra”) como poucos, praticou o ideal de independência intelectual, tendo sido perseguido pelas ditaduras que assolaram o país. Escreveu, traduziu e adaptou mais de uma centena de peças de teatro (Shakespeare, Pirandello, Molière, Racine, Brecht, Tchekov, Gorki, Fassbinder e muitos outros). Dentre as peças de sua autoria destacam-se Liberdade, liberdade (com Flávio Rangel), É..., Homem do princípio ao fim, Flávia, cabeça, tronco e membros, Um elefante no caos e Os órfãos de Jânio. Escreveu ainda 30 anos de mim mesmo, O livro vermelho dos pensamentos de Millôr, Todo o homem é minha caça, Tempo e contratempo, Poesias, Millôr definitivo – A Bíblia do Caos, entre dezenas de outros livros editados.

De 1930 a 1935, Millôr estudou na Escola Ennes de Souza, por ele chamada de Universidade do Meyer, mas que na verdade era uma escola pública. Diz dever tudo o que sabe a sua professora, Isabel Mendes, depois diretora e hoje nome da escola. Emociona-se ao falar sobre ela "uma mulatinha magra e devotada, que me ensinou tudo que se deve aprender de um professor ou de uma escola: gostar de estudar. Depois disso, pode-se ser autodidata. Escola, a não ser para campos técnicos-experimentais, é praticamente inútil”.

Após a morte da mãe, em 1935, também aos 36 anos, os irmãos Fernandes enfrentaram ainda maiores dificuldades.

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 Em 1938, foi contratado pelo Dr. Luiz Gonzaga da Cruz Magalhães Pinto para entregar o remédio para os rins "Urokava" em farmácias e drogarias. Durou pouco esse emprego. Logo ingressou na pequena revista O Cruzeiro, atuando como contínuo e repaginador. A redação nessa época tinha, além de Millôr, mais dois funcionários: um diretor e um paginador. Anos mais tarde, O Cruzeiro chegou a vender mais de 750 mil exemplares semanais. Ciente da necessidade de se aprimorar, Millôr ingressa no Liceu de Artes e Ofícios e sua carreira no jornalismo decola.

Em 1944 já é co-diretor da revista A Cigarra e, em 1945, inicia a publicação da coluna "Pif-Paf", em O Cruzeiro.

A partir de 1950, faz colaboração diária no jornal Diário da Noite. 


No jornal Tribuna da Imprensa, Millôr trabalhou apenas sete dias. Foi demitido por ter escrito um artigo sobre a corrupção na imprensa. Os editores, o poeta Mário Faustino e o jornalista Paulo Francis pediram também demissão em solidariedade.

Em 1963, com a publicação da matéria "Esta é a Verdadeira História do Paraíso", doze páginas em cores, o jornalista provoca a ira da própria revista e de leitores católicos e encerra sua carreira em O Cruzeiro. A partir de 1964, e até 1974, colabora semanalmente no jornal Diário Popular, de Portugal. A página mereceria um comentário especial do ditador Oliveira Salazar: "Este gajo tem piada. Pena que escreva tão mal o português”.

Sua passagem pela TV foi também marcada pela censura: Juscelino Kubitschek, o mais liberal de todos nossos ex-presidentes, censurou seu programa "Lições de um Ignorante". Saiu do ar após uma crítica à primeira dama do país: "Dona Sarah Kubitschek chegou ontem ao Brasil depois de cinco meses de viagem à Europa e foi condecorada com a Ordem do Mérito do Trabalho”. 

Considerado pelo crítico e poeta Fausto Cunha "um dos poucos escritores universais que possuímos", Millôr Fernandes atuou nos principais veículos de comunicação do Brasil, como o Correio da Manhã, revista Diners, revista Veja, O Pasquim, revista Isto É, Jornal do Brasil, O Dia, Folha de São Paulo e Correio Brasiliense, entre outros.

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Embora carioca do Méier, o edifício que leva uma placa com seu nome fica em Ipanema. 
Millôr Fernandes foi nosso vizinho ilustre na Avenida Vieira Souto 594, cobertura, esquina com a Rua Aníbal de Mendonça.


Homenageado pela Escola de Samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói, em 1983, Millôr foi um dos precursores do frescobol na praia de Ipanema.

Millôr morreu em 27 de março de 2012, aos 88 anos, no Rio.



Curiosidade 

É de autoria do arquiteto Paulo Casé o painel que ficará na portaria do prédio da Vieira Souto, onde Millôr viveu por 30 anos. A obra mostra a figura do escritor dizendo: “Eu morei aqui”. 


“ Consultei vários livros de sua autoria e montei um painel, utilizando desenhos e letras que ele fez”, disse Casé.






domingo, 26 de março de 2017

CARLOS LACERDA

 . Praia do Flamengo, 224 cobertura -  Flamengo  

O primeiro governador do antigo estado da Guanabara de 1960 a 1965,
Carlos Lacerda ( 1914 - 1977), foi um dos personagens mais controversos da política brasileira.

Considerado um ícone da política nacional por sua presença nos momentos de grandes transformações do século passado, Lacerda não foi apenas um político combatente, mas também um jornalista , empresário  e o grande gestor  que essa nossa cidade teve.

Seu governo no antigo estado da Guanabara destacou-se pela construção de grandes obras que mostraram suas habilidades como administrador. Universalizou o acesso ao ensino primário e chegou a publicar um decreto prevendo processo para os pais que não matriculassem seus filhos na escola. Modernizou a gestão, tornou obrigatório o concurso público, investiu como nunca em saneamento básico, investiu em obras estratégicas, como a estação Guandu, os túneis Rebouças e Santa Bárbara, construiu o Parque do Flamengo. Educação, urbanização e habitação foram as áreas mais beneficiadas, e que até hoje, não por acaso, dão a Lacerda um lugar privilegiado na memória carioca.

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Flamengo, antes só a praia. Depois, o aterro e o parque.

Parque que surgiu do convite de Lacerda à amiga 
arquiteta e urbanista Lota Macedo Soares,
que o idealizou e coordenou o grupo que transformou 
um aterro em uma grande área de lazer. 
Lacerda sempre afirmava 
que ela realizou a obra com dedicação, lealdade e bravura.


Carlos Lacerda foi nosso vizinho ilustre em dois bairros:

Copacabana, à Rua Toneleros, 180
e Flamengo, na Praia do Flamengo, 224.





Foi no endereço de Copacabana que ele, inimigo político declarado de Getúlio Vargas, acabou vítima de atentado a bala na porta do prédio em 5 de agosto de 1954, quando voltava de uma palestra no Colégio São José, na Tijuca. Nesse atentado morreu o major da aeronáutica Rubens Vaz, membro de um grupo de jovens oficiais que se dispuseram a acompanhá-lo e protegê-lo das ameaças que vinha sofrendo. Atingido de raspão em um dos pés, Lacerda foi socorrido e medicado em um hospital. Lá mesmo, acusou os homens do Palácio do Catete, sede do poder executivo, como mandantes do crime.

Um dos líderes civis da Revolução de 1964,  voltou-se porém  contra o Regime Militar, com a prorrogação do mandato do presidente Castelo Branco, que suspendeu as eleições previstas para 1965 e obteve a prorrogação de seu mandato até março de 1967. Segundo Lacerda, a prorrogação do mandato de Castelo Branco levaria à consolidação do governo em uma ditadura militar, o que realmente aconteceu.

Em 28 de outubro de 1966 lançou o movimento político FRENTE AMPLA, através de um manifesto dirigido ao povo brasileiro e publicado no jornal Tribuna da Imprensa.

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Lacerda e JK                                                                              



                                                                                            Lacerda e  Jango   


Com o objetivo de lutar pela “restauração do regime democrático” no Brasil, com a participação dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek - exilado em Lisboa - e João Goulart - vivendo no Uruguai - a FRENTE deu início a mobilizações públicas, com comícios. No dia 5 de abril, por intermédio da Portaria nº 117 do Ministério da Justiça, todas as atividades da Frente Ampla foram proibidas e Carlos Lacerda foi cassado pelo Regime Militar.                                                                                   

Em 1965 fundou a editora Nova Fronteira. Escreveu numerosos livros, entre eles O Caminho da Liberdade (1957), O Poder das Ideias (1963), Brasil entre a Verdade e a Mentira (1965), Paixão e Ciúme (1966), Crítica e Autocrítica (1966), A Casa do Meu Avô: pensamentos, palavras e obras (1977). Depoimento (1978) e Discursos Parlamentares (1982) foram compilados e publicados após a sua morte.

Morreu na madrugada 21 de maio de 1977, em uma clínica particular , estranhamente após ter contraído uma gripe comum. Em 20 de maio de 1987, através do decreto federal nº 94.353, teve restabelecidas, post mortem, as condecorações nacionais que foram retiradas e reincluído nas ordens do mérito das quais fora excluído em 1968.

Curiosidades

  • Seu poder de atração residia, essencialmente, na palavra, no talento de orador.
    Em uma carta , Carlos Drummond de Andrade, em 1976, dele diz:
           “Ninguém é indiferente ao charmeur irresistível que você é; mesmo os que dizem detestá-lo, no fundo, gostam de você. Gostam pelo avesso, mas gostam”.
  • Autor de frases memoráveis, e atuais, como
“A impunidade gera a audácia dos maus.”  
"Pobre Brasil este, tão parecido com o estádio do Maracanã: enorme, esburacado; explorado, sempre ameaçado de ruir e onde quase tudo ainda está pôr fazer, inclusive uma limpeza de alto a baixo." 
"A ideia de que tudo é a mesma coisa, de que todos são canalhas e portanto, viva a canalhice, apossou-se do Brasil."


domingo, 19 de março de 2017

COELHO NETO


 . Rua do Roso, 79 (atual Rua Coelho Neto) -  Laranjeiras  


Henrique Maximiniano Coelho Neto (1864-1934) foi escritor, político, professor brasileiro, membro fundador da Academia Brasileira, nela ocupando a cadeira nº 2.

É considerado o pioneiro a usar a expressão Cidade Maravilhosa.

Embora circulem outras versões para o nascimento da expressão, há registros de que ela foi criada mesmo pelo escritor no artigo “Os sertanejos”, publicado no jornal A Notícia, de 29 de outubro de 1908, que depois a inseriu, em 1928, no seu livro chamado Cidade Maravilhosa,com uma série de crônicas sobre o Rio de Janeiro.


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A outra versão para a expressão Cidade Maravilhosa diz que surgiu em 1913, no livro de poemas La Ville Merveilleuse, da escritora francesa Jane Catulle-Mendès, que visitara o Rio dois anos antes. A mesma expressão foi também utilizada para batizar o programa radiofônico “Crônicas da Cidade Maravilhosa”, no início da década de 1930 por César Ladeira, na Rádio Mayrink Veiga.

Coelho Neto iniciou sua carreira no jornal Gazeta da Tarde e prosseguiu-a no diário Cidade do Rio, de propriedade de José do Patrocínio - dedicado à pauta antiescravagista - e depois no Diário de Notícias, de Rui Barbosa. Formou com mais alguns amigos o grupo da "boemia literária" do Rio de Janeiro, do qual faziam parte Olavo Bilac, Luís Murat, Guimarães Passos e Paula Ney. A história dessa geração apareceria depois em seus romances A Conquista e Fogo Fátuo.

De sua extensa obra literária -composta por mais de cem livros e aproximadamente 650 contos -  destacamos um soneto que se tornaria famoso "Ser Mãe".

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra 
o coração! Ser mãe é ter no alheio 
lábio que suga, o pedestal do seio, 
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra. 

Ser mãe é ser um anjo que se libra 
sobre um berço dormindo! É ser anseio, 
é ser temeridade, é ser receio, 
é ser força que os males equilibra! 

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, 
espelho em que se mira afortunada, 
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho! 

Ser mãe é andar chorando num sorriso! 
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! 
Ser mãe é padecer num paraíso!


Resultado de imagem para hotel metropole, laranjeirasCoelho Neto, nosso vizinho ilustre, morou no início do seu casamento, com a mulher Maria Gabriela em uma pequena casa na Rua Silveira Martins, no bairro do Catete. Depois, o casal mudou-se para Campinas e no seu retorno ao Rio, três anos depois, viveu no Hotel Metrópole, que ficava na Rua das Laranjeiras nº 519 , em Laranjeiras, que hoje não mais existe.
Como a vida em hotel cansa , em 1905 Coelho Neto alugou uma casa na Rua do Roso, 79 (atual  Rua Coelho Neto) esquina com Pinheiro Machado, em Laranjeiras, na qual viveu até morrer.

Sua herma, obra do escultor português Pinto do Couto, fica na praça Areal, no bairro de Coelho Neto.

Curiosidade

Coelho Neto cultivou praticamente todos os gêneros literários e foi, por muitos anos, o escritor mais lido do Brasil, principalmente nas primeiras décadas do século XX, tendo provavelmente a sua maior consagração ao ser nomeado, em votação aberta ao público promovida pela revista O Malho, o "Príncipe dos Prosadores Brasileiros", em 1928.




domingo, 12 de março de 2017

CECÍLIA MEIRELES



 . Rua Smith de Vasconcelos, 30 -  Cosme Velho 


Resultado de imagem para cronica trovada da cidade de san sebastian"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."

Cecília Meireles (1901-1964), autora de uma vasta obra poética, foi a Crônica Trovada da Cidade de San Sebastiam, obra inacabada em homenagem ao Quarto Centenário do Rio, da qual só chegou a compor os primeiros vinte poemas, que definiu a escolha de Cecília Meireles para este mês de março de 2017, quando comemoramos os 452 anos de fundação da nossa mui heroica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. A autora desejava escrever um romanceiro completo em homenagem ao Rio, mas morreu após longa enfermidade. Obra dedicada à capital do ex- estado da Guanabara, com letra da poetisa e música de Camargo Guarnieri, são da Cantata os seguintes versos, que encerram a Crônica Trovada.

“Levantaremos todos os dias esta Cidade, sempre maior e mais bela, pois os seus naturais aumentam mais a beleza da terra.
“Levantaremos esta Cidade, Rainha das províncias e empório do mundo, e nela marcaremos a nossa vontade, o nosso destino, o nosso rumo”.

Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil, e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu na Rua da Colina, na Tijuca, em 7 de novembro de 1901. Concluiu seu curso primário na Escola Estácio de Sá, onde recebeu de Olavo Bilac, inspetor escolar do Rio de Janeiro, medalha de ouro por ter feito todo o curso com “distinção e louvor”.

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a morte, que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno”.
Cecília na casa do Cosme Velho  e foto da entrada da casa, abaixo à direita
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Professora diplomada pelo Instituto de Educação, exerceu o magistério no
antigo Distrito Federal até 1951, quando se aposentou. Criou e dirigiu a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, o Centro Infantil, que funcionou durante quatro anos no antigo Pavilhão Mourisco, no bairro de Botafogo.

Conhecida como a poeta da alma, são de sua autoria alguns dos mais belos versos da literatura brasileira, como Espectro, seu primeiro livro de poesias. Seguiram-se Nunca Mais, Poema dos Poemas, Baladas para El-Rei, Ou Isto ou Aquilo, obra prima dedicada ao público infantil, Solombra, Mar Absoluto e Romanceiro da Inconfidência, uma de suas obras mais conhecidas.

Realizou inúmeras viagens ao exterior, fazendo conferências sobre literatura, educação e folclore, uma de suas especialidades, em todos os
continentes. Sua obra teve reconhecimento internacional: em 1952, tornou-se Oficial da Ordem de Mérito do Chile e, no ano seguinte, recebeu o título de sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, de Goa. Foi também agraciada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Déli, ambas na Índia, além de receber os prêmios de Tradução/Teatro, da Associação Paulista de Críticos de Arte, o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro "Poemas de Israel", da Câmara Brasileira do Livro e o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra", da Câmara Brasileira do Livro.

Faleceu no Rio de Janeiro em 9 de novembro de 1964, recebendo inúmeras homenagens, após sua morte. Foi agraciada pela Academia Brasileira de Letras com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra, e emprestou seu nome à Sala Cecília Meireles, o grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro.


sábado, 4 de março de 2017

ANDRÉ FILHO


 . Rua do Matoso, 78 -  Catumbi  

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Antônio André de Sá Filho, ou simplesmente André Filho (1906-1974), apesar de ser o compositor de Cidade Maravilhosa, hino oficial do Rio, e de cerca de 500 canções, foi solenemente ignorado pela Prefeitura da cidade em todas as comemorações pelos seus 450 anos e que se realizaram ao longo de 2015.

Bacharel em ciências e letras, André fazia parte de uma família musical: ele tocava bandolim e violino, além de piano e violão. Suas irmãs, formadas pelo Instituto Nacional de Música, e que escreviam as partituras de suas composições, nunca seguiram a carreira artística.

O título Cidade Maravilhosa foi inspirado em um programa radialístico de grande sucesso à época, apresentado por César Ladeira, onde este lia as "Crônicas da Cidade Maravilhosa", escritas pelo futuro Imortal da Academia Brasileira de Letras, Genolino Amado.

Na década de 1960, no governo de Carlos Lacerda, a marchinha de André Filho foi indicada hino oficial da Guanabara, através de um projeto de lei apresentado pelo deputado Salles Netto, seu colega  de turma no Colégio Salesiano.

Cidade Maravilhosa foi composta em 1934, inscrita em um concurso de marchinhas para o Carnaval de 1935. Gravada por Aurora Miranda e André Filho  não levou o primeiro lugar, mas foi consagrada pelo público. Aurora gravou a marcha por sugestão de sua irmã Carmen Miranda, a qual pretendia lançar a irmã mais nova no cenário artístico e na rádio. Carmen passou, então, a incluí-la em todos os seus shows e no coro de suas gravações. Quando André Filho mostrou-lhe a música, Carmen achou que aquela seria uma oportunidade de ouro para a irmã. O compositor concordou imediatamente e, juntamente com Aurora, gravou Cidade Maravilhosa de forma magistral.






As irmãs Miranda foram as maiores intérpretes da obra do compositor.
Carmen gravou mais de 20 músicas de André, dentre elas Alô Alô Bamboleo, sendo que esta última voltou a fazer sucesso, na voz de Ney Matogrosso. Chico Buarque resgatou outra canção de André Filho, a belíssima Filosofia, composta em parceria com Noel Rosa.



Depois de Cidade Maravilhosa, o compositor experimentou, por cerca de dez anos, um grande sucesso, apresentando um programa na Rádio Nacional, patrocinado pela empresa Café Cruzeiro Extra, que pertencia ao seu avô e cujo slogan, de sua autoria, “Gostoso até sem acúcar”, é lembrado até hoje.

André Filho foi nosso vizinho ilustre em vários endereços da cidade. 

Nasceu pelas mãos de sua avó portuguesa, parteira, no dia 21 de março de 1906, na Rua da Ajuda, residência de sua bisavó. Em seguida, a família mudou-se para a Rua Catumbi, 67 - a casa branca e azul, da foto ao lado, -   onde funciona hoje a Associação Comercial daquele bairro. 
Quando André tinha 12 anos, houve nova mudança para a Rua do Matoso, 78, onde foi composta a célebre marchinha Cidade Maravilhosa. Hoje, este endereço abriga um supermercado.
Em 1942, a família mudou-se para Copacabana, residência de seu avô.
Era um lindo casarão com grandes vitrais coloridos, na Rua Xavier da Silveira, 73 e que ocupava todo o quarteirão até a Rua Miguel Lemos. Ali se reunia a elite musical da cidade e ali foram realizados inúmeros bailes no grande salão da residência que podia abrigar até 100 pares rodopiando pelo grande espaço.

André Filho residiu em Copacabana até morrer em 1974. Após o falecimento de sua avó, em 1976, o casarão foi vendido e demolido dando lugar à construção de um hotel e de um prédio residencial. Curiosamente, a casa de número 75, da mesma rua, foi tombada em 1976 pela Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e hoje pertence ao INSS. A casa de André Filho, não.


O blog tem como tema nesse mês de MARÇO... o ANIVERSÁRIO DO RIO
                             que se comemorou dia 1° de março.
A cada semana um nome celebrando a festa!

NOSSOS VIZINHOS ILUSTRES  de MARÇO
              
   .  André Filho
   . Cecília Meireles
   .  Coelho Neto
   .  Carlos Lacerda

sábado, 25 de fevereiro de 2017

OSWALDO NUNES


 .  Rua Dídimo, 29 - Centro  

ÔBA!
Esse foi o grito que contagiou a cidade...


Resultado de imagem para oswaldo nunes...e fez conhecido o talento do compositor carioca Oswaldo Nunes (1930-1991). Órfão de pai e mãe, foi criado por instituições de amparo ao menor, aos 13 anos fugiu, e passou algum tempo vivendo na marginalidade no bairro boêmio da Lapa. Depois foi vendedor de balas, engraxate, camelô e artista de rua. Até que começou a frequentar rodas de samba e blocos de carnaval e sentiu que tinha inspiração para compor músicas e talento para cantar. Aos 20 anos compôs seu primeiro samba e teve composições suas gravadas por alguns artistas de sucesso, como Leny Everson. 

Mas foi em 1962 que compôs para o Bloco Carnavalesco Bafo da Onça aquele que seria seu maior sucesso, o samba Ôba, e que se tornou o hino oficial do bloco e um dos maiores hits do carnaval de todos os tempos.



Daí em diante se tornou sinônimo de Bafo de Onça...




 ... e, popular com outras músicas de grande sucesso e sua forma de interpretar peculiaríssima, cheia de alegria e irreverência. 

Destaque para 



Oswaldo Nunes morou em vários locais no Centro do Rio. Em especial na lendária Villa Ruy Barbosa, na Rua Dídimo, 29, no Centro do Rio e sua última residência foi um quitinete na Avenida Gomes Freire, 740, apartamento 412, no Rio de Janeiro, onde morreu assassinado.

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Villa Ruy Barbosa

A Villa Ruy Barbosa ocupava todo o quarteirão formado pelas ruas Henrique Valadares, Inválidos, Senado e Ubaldino do Amaral.
Existiam casas que estavam voltadas para estas ruas e 3 acessos à parte interna da vila. Um deles, o que interligava a R. Henrique Valadares à R. do Senado, chamava-se Rua Dídimo, o à Rua dos Inválidos que se encontrava com a Rua Didimo, formando um T, e outro que cortava as 3 travessas internas que se chamavam Chiquita, Bem te Vi e Adélia. Nestas travessas haviam 8 ou 10 casas térreas de cada lado, e acima destas casas ficavam os quartos individuais para solteiros.
Além de casas para moradia, a Villa Ruy Barbosa possuía: uma lavanderia, um forno de incineração de lixo, dois armazéns de secos e molhados, um açougue, uma farmácia, uma carvoaria, um restaurante, uma sapataria. E tudo isso dentro de uma área arborizada, calçada e iluminada .

A melhor época na Villa, para os que lá viveram, era a das festas juninas, onde balões enormes eram soltos fazendo um cenário lindo com as ruas estreitas da Villa. As travessas eram enfeitadas com bandeirinhas e fogueiras eram acesas e, conta-se que  Oswaldo Nunes era o assador oficial de batata-doce nas fogueiras.

Esta Villa começou a ser demolida no início dos anos 70, para construção de prédios residenciais, como os 3 prédios que hoje existem na Rua Ubaldino do Amaral.

Uma curiosidade:

Onze anos depois de sua morte, a Justiça deu a sentença do espólio do cantor. Em testamento, o sambista deixou um apartamento e todos os seus direitos autorais para o Retiro dos Artistas, no Rio 
Belo gesto!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

LAMARTINE BABO


 . Rua Jorge Lóssio, 36 casa 2 - Tijuca   


Lamartine de Azeredo Babo, ou simplesmente Lamartine Babo (1904-1963) o compositor brasileiro, autodidata, autor de valsa, opereta, samba-canção, hinos, marchinhas de carnaval e juninas, músicas maravilhosas que foram do humor refinado e a irreverência ao profundo sentimento.  

 Lalá, como era conhecido, era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, daí suas letras primorosas nas marchinhas carnavalescas - cantadas até hoje - como O Teu Cabelo Não Nega, Grau 10, Linda Morena, Cantores do Rádio, Joujou e Balangandãs, Ride Palhaço História do Brasil  - letra considerada verdadeiro painel surrealista e premonitoriamente tropicalista, que abriu o caminho poético/popular do absurdo que Stanislaw Ponte Preta trilhou mais tarde com o Samba do Crioulo Doido -  dentre outras.

Também, quando falamos em futebol é impossível não lembrarmos que Lamartine Babo compôs hinos de 11 clubes cariocas. E tudo começou por acaso, quando ele compôs uma marchinha para o Flamengo no carnaval de 1945, que acabou virando o hino informal do time até hoje. Diante do enorme sucesso. Heber de Boscoli, que fazia o programa ‘Trem da Alegria’ com Lamartine propôs o desafio dele compor um hino por semana para os outros clubes de futebol do Rio. O resultado é que no final da década de 40 todos os 11 times que disputavam o Campeonato Carioca já tinham os seus hinos.



Nasceu na Rua das Violas, atual  Teófilo Otoni, no centro da cidade do Rio de Janeiro, depois a família logo mudou-se para o bairro da Tijuca, expulsa do centro da cidade que ingressava na Belle Époque.  Já adulto, morou na Rua Frei Caneca, 163 (último andar) e depois em uma vila - existente até hoje - na Rua Jorge Lóssio, 36 casa 2


Solitário até 1951, casou-se nesse ano com Maria José Barroso,  a Zezé, que conhecera num hospital de Petrópolis quando animava doentes cantando e contando piadas, em trabalho voluntário.




Em 1981, no carnaval, só deu Lalá.
A escola de samba carioca 
Imperatriz Leopoldinense conquistou seu primeiro bicampeonato com o enredo "O teu cabelo não nega", de Arlindo Rodrigues, uma comovente e divertida homenagem ao compositor.





No dia 13 de junho de 1963, quando se recuperava de um enfarte sofrido alguns meses antes, Lamartine Babo foi ao Golden Room do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, assistir ao ensaio de um musical de Carlos Machado inspirado em suas marchinhas de carnaval e que tinha por título a mais famosa delas: O Teu Cabelo Não Nega
Entrevistado para um telejornal, quis saber se a conversa iria ao ar no mesmo dia. 
“Hoje não, porque temos a entrevista de Tom Jobim,
que chegou dos Estados Unidos”
,
 respondeu o repórter. 
“Ah! Quer dizer que agora eu estou um tom abaixo?”
Foi o último de seus muitos e célebres trocadilhos. Três dias depois, sem ter chegado a ver a estreia do espetáculo, Lalá morria.

Curiosidade... 
...é o fato de um dos hinos mais belos não só da carreira de Lamartine como do futebol brasileiro ser plágio.

Na verdade o hino do América foi baseado na música “Row Row Row”, trilha de um musical da Broadway chamado “Ziegfeld Follies”, composta em 1912. Lamartine provavelmente conheceu a música quando o musical virou um filme recheado de estrelas, como Fred Astaire, Judy Garland e Gene Kelly e ganhou o festival de Cannes em 1947.