domingo, 26 de março de 2017

CARLOS LACERDA

 . Praia do Flamengo, 224 cobertura -  Flamengo  

O primeiro governador do antigo estado da Guanabara de 1960 a 1965,
Carlos Lacerda ( 1914 - 1977), foi um dos personagens mais controversos da política brasileira.

Considerado um ícone da política nacional por sua presença nos momentos de grandes transformações do século passado, Lacerda não foi apenas um político combatente, mas também um jornalista , empresário  e o grande gestor  que essa nossa cidade teve.

Seu governo no antigo estado da Guanabara destacou-se pela construção de grandes obras que mostraram suas habilidades como administrador. Universalizou o acesso ao ensino primário e chegou a publicar um decreto prevendo processo para os pais que não matriculassem seus filhos na escola. Modernizou a gestão, tornou obrigatório o concurso público, investiu como nunca em saneamento básico, investiu em obras estratégicas, como a estação Guandu, os túneis Rebouças e Santa Bárbara, construiu o Parque do Flamengo. Educação, urbanização e habitação foram as áreas mais beneficiadas, e que até hoje, não por acaso, dão a Lacerda um lugar privilegiado na memória carioca.

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Flamengo, antes só a praia. Depois, o aterro e o parque.

Parque que surgiu do convite de Lacerda à amiga 
arquiteta e urbanista Lotta Macedo Soares, 
que o idealizou e coordenou o grupo que transformou 
um aterro em uma grande área de lazer. 
Lacerda sempre afirmava 
que ela realizou a obra com dedicação, lealdade e bravura.



Carlos Lacerda foi nosso vizinho ilustre em dois bairros:

Copacabana, à Rua Toneleros, 180
e Flamengo, na Praia do Flamengo, 224.





Foi no endereço de Copacabana que ele, inimigo político declarado de Getúlio Vargas, foi vítima de atentado a bala na porta do prédio em 5 de agosto de 1954, quando voltava de uma palestra no Colégio São José, na Tijuca. Nesse atentado morreu o major da aeronáutica Rubens Vaz, membro de um grupo de jovens oficiais que se dispuseram a acompanhá-lo e protegê-lo das ameaças que vinha sofrendo. Atingido de raspão em um dos pés, Lacerda foi socorrido e medicado em um hospital. Lá mesmo, acusou os homens do Palácio do Catete, sede do poder executivo, como mandantes do crime.

Foi um dos líderes civis da Revolução de 1964, porém voltou-se contra o Regime Militar, com a prorrogação do mandato do presidente Castelo Branco, que suspendeu as eleições previstas para 1965 e obteve a prorrogação de seu mandato até março de 1967. Segundo Lacerda, a prorrogação do mandato de Castelo Branco levaria à consolidação do governo em uma ditadura militar, o que realmente aconteceu.

Em 28 de outubro de 1966 lançou o movimento político FRENTE AMPLA, através de um manifesto dirigido ao povo brasileiro e publicado no jornal Tribuna da Imprensa.

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Lacerda e JK                                                                              


                                                                                            Lacerda e  Jango   


Com o objetivo de lutar pela “restauração do regime democrático” no Brasil, com a participação dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek - exilado em Lisboa - e João Goulart - vivendo no Uruguai - a FRENTE deu início a mobilizações públicas, com comícios. No dia 5 de abril, por intermédio da Portaria nº 117 do Ministério da Justiça, todas as atividades da Frente Ampla foram proibidas e Carlos Lacerda foi cassado pelo Regime Militar.                                                                                   

Em 1965 fundou a editora Nova Fronteira. Escreveu numerosos livros, entre eles O Caminho da Liberdade (1957), O Poder das Ideias (1963), Brasil entre a Verdade e a Mentira (1965), Paixão e Ciúme (1966), Crítica e Autocrítica (1966), A Casa do Meu Avô: pensamentos, palavras e obras (1977). Depoimento (1978) e Discursos Parlamentares (1982) foram compilados e publicados após a sua morte.

Morreu na madrugada 21 de maio de 1977, em uma clínica particular , estranhamente após ter contraído uma gripe comum. Em 20 de maio de 1987, através do decreto federal nº 94.353, teve restabelecidas, post mortem, as condecorações nacionais que foram retiradas e reincluído nas ordens do mérito das quais fora excluído em 1968.

Curiosidades

  • Seu poder de atração residia, essencialmente, na palavra, no talento de orador.
    Em uma carta , Carlos Drummond de Andrade, em 1976, dele diz:
           “Ninguém é indiferente ao charmeur irresistível que você é; mesmo os que dizem detestá-lo, no fundo, gostam de você. Gostam pelo avesso, mas gostam”.

  • Autor de frases memoráveis, e atuais, como
“A impunidade gera a audácia dos maus.”  
"Pobre Brasil este, tão parecido com o estádio do Maracanã: enorme, esburacado; explorado, sempre ameaçado de ruir e onde quase tudo ainda está pôr fazer, inclusive uma limpeza de alto a baixo." 
"A ideia de que tudo é a mesma coisa, de que todos são canalhas e portanto, viva a canalhice, apossou-se do Brasil."


domingo, 19 de março de 2017

COELHO NETO


 . Rua do Roso, 79 (atual Rua Coelho Neto) -  Laranjeiras  


Henrique Maximiniano Coelho Neto (1864-1934) foi escritor, político, professor brasileiro, membro fundador da Academia Brasileira, nela ocupando a cadeira nº 2.

É considerado o pioneiro a usar a expressão Cidade Maravilhosa.

Embora circulem outras versões para o nascimento da expressão, há registros de que ela foi criada mesmo pelo escritor no artigo “Os sertanejos”, publicado no jornal A Notícia, de 29 de outubro de 1908, que depois a inseriu, em 1928, no seu livro chamado Cidade Maravilhosa,com uma série de crônicas sobre o Rio de Janeiro.


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A outra versão para a expressão Cidade Maravilhosa diz que surgiu em 1913, no livro de poemas La Ville Merveilleuse, da escritora francesa Jane Catulle-Mendès, que visitara o Rio dois anos antes. A mesma expressão foi também utilizada para batizar o programa radiofônico “Crônicas da Cidade Maravilhosa”, no início da década de 1930 por César Ladeira, na Rádio Mayrink Veiga.

Coelho Neto iniciou sua carreira no jornal Gazeta da Tarde e prosseguiu-a no diário Cidade do Rio, de propriedade de José do Patrocínio - dedicado à pauta antiescravagista - e depois no Diário de Notícias, de Rui Barbosa. Formou com mais alguns amigos o grupo da "boemia literária" do Rio de Janeiro, do qual faziam parte Olavo Bilac, Luís Murat, Guimarães Passos e Paula Ney. A história dessa geração apareceria depois em seus romances A Conquista e Fogo Fátuo.

De sua extensa obra literária -composta por mais de cem livros e aproximadamente 650 contos -  destacamos um soneto que se tornaria famoso "Ser Mãe".

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra 
o coração! Ser mãe é ter no alheio 
lábio que suga, o pedestal do seio, 
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra. 

Ser mãe é ser um anjo que se libra 
sobre um berço dormindo! É ser anseio, 
é ser temeridade, é ser receio, 
é ser força que os males equilibra! 

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, 
espelho em que se mira afortunada, 
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho! 

Ser mãe é andar chorando num sorriso! 
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! 
Ser mãe é padecer num paraíso!


Resultado de imagem para hotel metropole, laranjeirasCoelho Neto, nosso vizinho ilustre, morou no início do seu casamento, com a mulher Maria Gabriela em uma pequena casa na Rua Silveira Martins, no bairro do Catete. Depois, o casal mudou-se para Campinas e no seu retorno ao Rio, três anos depois, viveu no Hotel Metrópole, que ficava na Rua das Laranjeiras nº 519 , em Laranjeiras, que hoje não mais existe.
Como a vida em hotel cansa , em 1905 Coelho Neto alugou uma casa na Rua do Roso, 79 (atual  Rua Coelho Neto) esquina com Pinheiro Machado, em Laranjeiras, na qual viveu até morrer.

Sua herma, obra do escultor português Pinto do Couto, fica na praça Areal, no bairro de Coelho Neto.

Curiosidade

Coelho Neto cultivou praticamente todos os gêneros literários e foi, por muitos anos, o escritor mais lido do Brasil, principalmente nas primeiras décadas do século XX, tendo provavelmente a sua maior consagração ao ser nomeado, em votação aberta ao público promovida pela revista O Malho, o "Príncipe dos Prosadores Brasileiros", em 1928.




domingo, 12 de março de 2017

CECÍLIA MEIRELES



 . Rua Smith de Vasconcelos, 30 -  Cosme Velho 


Resultado de imagem para cronica trovada da cidade de san sebastian"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."

Cecília Meireles (1901-1964), autora de uma vasta obra poética, foi a Crônica Trovada da Cidade de San Sebastiam, obra inacabada em homenagem ao Quarto Centenário do Rio, da qual só chegou a compor os primeiros vinte poemas, que definiu a escolha de Cecília Meireles para este mês de março de 2017, quando comemoramos os 452 anos de fundação da nossa mui heroica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. A autora desejava escrever um romanceiro completo em homenagem ao Rio, mas morreu após longa enfermidade. Obra dedicada à capital do ex- estado da Guanabara, com letra da poetisa e música de Camargo Guarnieri, são da Cantata os seguintes versos, que encerram a Crônica Trovada.

“Levantaremos todos os dias esta Cidade, sempre maior e mais bela, pois os seus naturais aumentam mais a beleza da terra.
“Levantaremos esta Cidade, Rainha das províncias e empório do mundo, e nela marcaremos a nossa vontade, o nosso destino, o nosso rumo”.

Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil, e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu na Rua da Colina, na Tijuca, em 7 de novembro de 1901. Concluiu seu curso primário na Escola Estácio de Sá, onde recebeu de Olavo Bilac, inspetor escolar do Rio de Janeiro, medalha de ouro por ter feito todo o curso com “distinção e louvor”.

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a morte, que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno”.
Cecília na casa do Cosme Velho  e foto da entrada da casa, abaixo à direita
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Professora diplomada pelo Instituto de Educação, exerceu o magistério no
antigo Distrito Federal até 1951, quando se aposentou. Criou e dirigiu a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, o Centro Infantil, que funcionou durante quatro anos no antigo Pavilhão Mourisco, no bairro de Botafogo.

Conhecida como a poeta da alma, são de sua autoria alguns dos mais belos versos da literatura brasileira, como Espectro, seu primeiro livro de poesias. Seguiram-se Nunca Mais, Poema dos Poemas, Baladas para El-Rei, Ou Isto ou Aquilo, obra prima dedicada ao público infantil, Solombra, Mar Absoluto e Romanceiro da Inconfidência, uma de suas obras mais conhecidas.

Realizou inúmeras viagens ao exterior, fazendo conferências sobre literatura, educação e folclore, uma de suas especialidades, em todos os
continentes. Sua obra teve reconhecimento internacional: em 1952, tornou-se Oficial da Ordem de Mérito do Chile e, no ano seguinte, recebeu o título de sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, de Goa. Foi também agraciada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Déli, ambas na Índia, além de receber os prêmios de Tradução/Teatro, da Associação Paulista de Críticos de Arte, o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro "Poemas de Israel", da Câmara Brasileira do Livro e o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra", da Câmara Brasileira do Livro.

Faleceu no Rio de Janeiro em 9 de novembro de 1964, recebendo inúmeras homenagens, após sua morte. Foi agraciada pela Academia Brasileira de Letras com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra, e emprestou seu nome à Sala Cecília Meireles, o grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro.


sábado, 4 de março de 2017

ANDRÉ FILHO


 . Rua do Matoso, 78 -  Catumbi  

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Antônio André de Sá Filho, ou simplesmente André Filho (1906-1974), apesar de ser o compositor de Cidade Maravilhosa, hino oficial do Rio, e de cerca de 500 canções, foi solenemente ignorado pela Prefeitura da cidade em todas as comemorações pelos seus 450 anos e que se realizaram ao longo de 2015.

Bacharel em ciências e letras, André fazia parte de uma família musical: ele tocava bandolim e violino, além de piano e violão. Suas irmãs, formadas pelo Instituto Nacional de Música, e que escreviam as partituras de suas composições, nunca seguiram a carreira artística.

O título Cidade Maravilhosa foi inspirado em um programa radialístico de grande sucesso à época, apresentado por César Ladeira, onde este lia as "Crônicas da Cidade Maravilhosa", escritas pelo futuro Imortal da Academia Brasileira de Letras, Genolino Amado.

Na década de 1960, no governo de Carlos Lacerda, a marchinha de André Filho foi indicada hino oficial da Guanabara, através de um projeto de lei apresentado pelo deputado Salles Netto, seu colega  de turma no Colégio Salesiano.

Cidade Maravilhosa foi composta em 1934, inscrita em um concurso de marchinhas para o Carnaval de 1935. Gravada por Aurora Miranda e André Filho  não levou o primeiro lugar, mas foi consagrada pelo público. Aurora gravou a marcha por sugestão de sua irmã Carmen Miranda, a qual pretendia lançar a irmã mais nova no cenário artístico e na rádio. Carmen passou, então, a incluí-la em todos os seus shows e no coro de suas gravações. Quando André Filho mostrou-lhe a música, Carmen achou que aquela seria uma oportunidade de ouro para a irmã. O compositor concordou imediatamente e, juntamente com Aurora, gravou Cidade Maravilhosa de forma magistral.






As irmãs Miranda foram as maiores intérpretes da obra do compositor.
Carmen gravou mais de 20 músicas de André, dentre elas Alô Alô Bamboleo, sendo que esta última voltou a fazer sucesso, na voz de Ney Matogrosso. Chico Buarque resgatou outra canção de André Filho, a belíssima Filosofia, composta em parceria com Noel Rosa.



Depois de Cidade Maravilhosa, o compositor experimentou, por cerca de dez anos, um grande sucesso, apresentando um programa na Rádio Nacional, patrocinado pela empresa Café Cruzeiro Extra, que pertencia ao seu avô e cujo slogan, de sua autoria, “Gostoso até sem acúcar”, é lembrado até hoje.

André Filho foi nosso vizinho ilustre em vários endereços da cidade. 

Nasceu pelas mãos de sua avó portuguesa, parteira, no dia 21 de março de 1906, na Rua da Ajuda, residência de sua bisavó. Em seguida, a família mudou-se para a Rua Catumbi, 67 - a casa branca e azul, da foto ao lado, -   onde funciona hoje a Associação Comercial daquele bairro. 
Quando André tinha 12 anos, houve nova mudança para a Rua do Matoso, 78, onde foi composta a célebre marchinha Cidade Maravilhosa. Hoje, este endereço abriga um supermercado.
Em 1942, a família mudou-se para Copacabana, residência de seu avô.
Era um lindo casarão com grandes vitrais coloridos, na Rua Xavier da Silveira, 73 e que ocupava todo o quarteirão até a Rua Miguel Lemos. Ali se reunia a elite musical da cidade e ali foram realizados inúmeros bailes no grande salão da residência que podia abrigar até 100 pares rodopiando pelo grande espaço.

André Filho residiu em Copacabana até morrer em 1974. Após o falecimento de sua avó, em 1976, o casarão foi vendido e demolido dando lugar à construção de um hotel e de um prédio residencial. Curiosamente, a casa de número 75, da mesma rua, foi tombada em 1976 pela Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e hoje pertence ao INSS. A casa de André Filho, não.


O blog tem como tema nesse mês de MARÇO... o ANIVERSÁRIO DO RIO
                             que se comemorou dia 1° de março.
A cada semana um nome celebrando a festa!

NOSSOS VIZINHOS ILUSTRES  de MARÇO
              
   .  André Filho
   . Cecília Meireles
   .  Coelho Neto
   .  Carlos Lacerda

sábado, 25 de fevereiro de 2017

OSWALDO NUNES


 .  Rua Dídimo, 29 - Centro  

ÔBA!
Esse foi o grito que contagiou a cidade...


Resultado de imagem para oswaldo nunes...e fez conhecido o talento do compositor carioca Oswaldo Nunes (1930-1991). Órfão de pai e mãe, foi criado por instituições de amparo ao menor, aos 13 anos fugiu, e passou algum tempo vivendo na marginalidade no bairro boêmio da Lapa. Depois foi vendedor de balas, engraxate, camelô e artista de rua. Até que começou a frequentar rodas de samba e blocos de carnaval e sentiu que tinha inspiração para compor músicas e talento para cantar. Aos 20 anos compôs seu primeiro samba e teve composições suas gravadas por alguns artistas de sucesso, como Leny Everson. 

Mas foi em 1962 que compôs para o Bloco Carnavalesco Bafo da Onça aquele que seria seu maior sucesso, o samba Ôba, e que se tornou o hino oficial do bloco e um dos maiores hits do carnaval de todos os tempos.



Daí em diante se tornou sinônimo de Bafo de Onça...




 ... e, popular com outras músicas de grande sucesso e sua forma de interpretar peculiaríssima, cheia de alegria e irreverência. 

Destaque para 



Oswaldo Nunes morou em vários locais no Centro do Rio. Em especial na lendária Villa Ruy Barbosa, na Rua Dídimo, 29, no Centro do Rio e sua última residência foi um quitinete na Avenida Gomes Freire, 740, apartamento 412, no Rio de Janeiro, onde morreu assassinado.

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Villa Ruy Barbosa

A Villa Ruy Barbosa ocupava todo o quarteirão formado pelas ruas Henrique Valadares, Inválidos, Senado e Ubaldino do Amaral.
Existiam casas que estavam voltadas para estas ruas e 3 acessos à parte interna da vila. Um deles, o que interligava a R. Henrique Valadares à R. do Senado, chamava-se Rua Dídimo, o à Rua dos Inválidos que se encontrava com a Rua Didimo, formando um T, e outro que cortava as 3 travessas internas que se chamavam Chiquita, Bem te Vi e Adélia. Nestas travessas haviam 8 ou 10 casas térreas de cada lado, e acima destas casas ficavam os quartos individuais para solteiros.
Além de casas para moradia, a Villa Ruy Barbosa possuía: uma lavanderia, um forno de incineração de lixo, dois armazéns de secos e molhados, um açougue, uma farmácia, uma carvoaria, um restaurante, uma sapataria. E tudo isso dentro de uma área arborizada, calçada e iluminada .

A melhor época na Villa, para os que lá viveram, era a das festas juninas, onde balões enormes eram soltos fazendo um cenário lindo com as ruas estreitas da Villa. As travessas eram enfeitadas com bandeirinhas e fogueiras eram acesas e, conta-se que  Oswaldo Nunes era o assador oficial de batata-doce nas fogueiras.

Esta Villa começou a ser demolida no início dos anos 70, para construção de prédios residenciais, como os 3 prédios que hoje existem na Rua Ubaldino do Amaral.

Uma curiosidade:

Onze anos depois de sua morte, a Justiça deu a sentença do espólio do cantor. Em testamento, o sambista deixou um apartamento e todos os seus direitos autorais para o Retiro dos Artistas, no Rio 
Belo gesto!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

LAMARTINE BABO


 . Rua Jorge Lóssio, 36 casa 2 - Tijuca   


Lamartine de Azeredo Babo, ou simplesmente Lamartine Babo (1904-1963) o compositor brasileiro, autodidata, autor de valsa, opereta, samba-canção, hinos, marchinhas de carnaval e juninas, músicas maravilhosas que foram do humor refinado e a irreverência ao profundo sentimento.  

 Lalá, como era conhecido, era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, daí suas letras primorosas nas marchinhas carnavalescas - cantadas até hoje - como O Teu Cabelo Não Nega, Grau 10, Linda Morena, Cantores do Rádio, Joujou e Balangandãs, Ride Palhaço História do Brasil  - letra considerada verdadeiro painel surrealista e premonitoriamente tropicalista, que abriu o caminho poético/popular do absurdo que Stanislaw Ponte Preta trilhou mais tarde com o Samba do Crioulo Doido -  dentre outras.

Também, quando falamos em futebol é impossível não lembrarmos que Lamartine Babo compôs hinos de 11 clubes cariocas. E tudo começou por acaso, quando ele compôs uma marchinha para o Flamengo no carnaval de 1945, que acabou virando o hino informal do time até hoje. Diante do enorme sucesso. Heber de Boscoli, que fazia o programa ‘Trem da Alegria’ com Lamartine propôs o desafio dele compor um hino por semana para os outros clubes de futebol do Rio. O resultado é que no final da década de 40 todos os 11 times que disputavam o Campeonato Carioca já tinham os seus hinos.



Nasceu na Rua das Violas, atual  Teófilo Otoni, no centro da cidade do Rio de Janeiro, depois a família logo mudou-se para o bairro da Tijuca, expulsa do centro da cidade que ingressava na Belle Époque.  Já adulto, morou na Rua Frei Caneca, 163 (último andar) e depois em uma vila - existente até hoje - na Rua Jorge Lóssio, 36 casa 2


Solitário até 1951, casou-se nesse ano com Maria José Barroso,  a Zezé, que conhecera num hospital de Petrópolis quando animava doentes cantando e contando piadas, em trabalho voluntário.




Em 1981, no carnaval, só deu Lalá.
A escola de samba carioca 
Imperatriz Leopoldinense conquistou seu primeiro bicampeonato com o enredo "O teu cabelo não nega", de Arlindo Rodrigues, uma comovente e divertida homenagem ao compositor.





No dia 13 de junho de 1963, quando se recuperava de um enfarte sofrido alguns meses antes, Lamartine Babo foi ao Golden Room do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, assistir ao ensaio de um musical de Carlos Machado inspirado em suas marchinhas de carnaval e que tinha por título a mais famosa delas: O Teu Cabelo Não Nega
Entrevistado para um telejornal, quis saber se a conversa iria ao ar no mesmo dia. 
“Hoje não, porque temos a entrevista de Tom Jobim,
que chegou dos Estados Unidos”
,
 respondeu o repórter. 
“Ah! Quer dizer que agora eu estou um tom abaixo?”
Foi o último de seus muitos e célebres trocadilhos. Três dias depois, sem ter chegado a ver a estreia do espetáculo, Lalá morria.

Curiosidade... 
...é o fato de um dos hinos mais belos não só da carreira de Lamartine como do futebol brasileiro ser plágio.

Na verdade o hino do América foi baseado na música “Row Row Row”, trilha de um musical da Broadway chamado “Ziegfeld Follies”, composta em 1912. Lamartine provavelmente conheceu a música quando o musical virou um filme recheado de estrelas, como Fred Astaire, Judy Garland e Gene Kelly e ganhou o festival de Cannes em 1947.





domingo, 12 de fevereiro de 2017

EMILINHA BORBA


 . Rua Roberto Dias Lopes, 83 apto. 402 - Leme  
 Com v
ocês, a minha, a sua, a nossa favorita...

Esse foi o bordão de um dos maiores fenômenos de idolatria
da Era do Rádio no Brasil:
Emilinha Borba (1923-2005).


Emília Savana da Silva Borba, a Favorita da Marinha Emilinha Borba nasceu no bairro da Mangueira, no Rio de Janeiro, e ainda menina,  contrariando um pouco a vontade de sua mãe, apresentou-se em diversos programas de auditório e de calouros, acabando por participar do  "Calouros do Ary", onde obteve a nota máxima, interpretando "O X do Problema", de Noel Rosa. Logo depois, começou a fazer parte do coro da gravadora Columbia. Formou com Bidú Reis (Edila Luísa Reis) a dupla "As Moreninhas,", que gravou para a coleção"Discoteca Infantil", uma das adaptações de João de Barro, o Braguinha, a "A História da Baratinha". Desfeita a dupla, passou a cantar sozinha e foi logo contratada pela Rádio Mayrink Veiga, recebendo de César Ladeira o título de "Garota Grau Dez".

Ilustre moradora da Zona Sul carioca, Emilinha morou em alguns endereços entre o Leme o Posto IV.
Emilinha morou na Rua Roberto Dias Lopes, 83 apartamento 402 , Edifício Marquês de Lucena, no Leme, e também nas ruas Assis Brasil e Figueiredo Magalhães, em Copacabana.

o prédio no Leme onde morou Emilinha

A sua carreira começa quando em 1939, foi levada por sua madrinha artística, Carmen Miranda, de quem sua mãe era camareira, para fazer um teste no Cassino da Urca, tendo que aumentar sua idade, por ser menor. Foi Carmen Miranda quem lhe emprestou o vestido e sapatos plataforma.

Foi contratada da Rádio Nacional do Rio de Janeiro durante 27 anos. Lá atingiu o ápice de sua carreira artística, tornando-se a cantora mais querida e popular do país. Seus sucessos eram carnavalescos e de meio de ano. Daí que Emilinha foi a primeira artista brasileira a fazer uma longa excursão pelo país com patrocínio exclusivo do Leite de Rosas. Sua foto, era obrigatória nas capas de todas as revistas e jornais do país. Calcula-se aproximadamente umas 350 capas nas mais diversas revistas nacionais.


O simples anúncio de sua presença em qualquer cidade ou lugarejo do país era feriado local e Emilinha simbolicamente recebia as chaves da cidade e desfilava em carro aberto. Dos concursos populares, que serviam na época como termômetro de popularidade do artista, 99,9% deram vitória a Emilinha Borba, tornando-a a artista brasileira que possivelmente possui mais títulos, troféus, faixas e coroas.

Emilinha já àquela época  interagia com seus fãs, amigos e leitores através das colunas Diário da EmilinhaÁlbum da EmilinhaEmilinha Responde e Coluna da Emilinha, que assinava em órgãos da imprensa como a Revista do Rádio, Radiolândia e o jornal “A Noite”
      

No cinema participou dos filmes "Banana da Terra",  e em diversos outros filmes clássicos da Atlântida, dentre os quais, "Laranja da China", "Vamos cantar", " É Fogo na Roupa" e "Aviso aos Navegantes”.




 No final dos anos 1960 teve edema nas cordas vocais e, após três cirurgias e longo estudo para reeducar a voz, voltou a cantar. Mas só em 2003 lançou, sem gravadora, um inédito disco solo, o CD "Emilinha Pinta e Borba", com participações de diversos cantores como Cauby Peixoto, Marlene, Ney Matogrosso, Luís Airão, Emílio Santiago, entre outros, vendendo o disco de forma bem popular, na Cinelândia, em contato com o público. E,em 2005, lançou o CD "Na Banca da Folia", para o carnaval.


Curiosidades

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Em 1949, devido ao grande sucesso "Chiquita Bacana" , ela passou a ser considerada a vencedora do concurso de Rainha do Rádio.. Entretanto, Marlene, uma cantora novata, apareceu e venceu o concurso de forma surpreendente, graças ao apoio da Companhia Antarctica Paulista. A empresa de bebidas estava prestes a lançar no mercado um novo produto, o Guaraná Caçula, e, atenta à popularidade da disputa, e querendo usá-la na propaganda de lançamento, deu à Marlene um cheque em branco, para que ela pudesse comprar quantos votos fossem necessários para sua vitória. Assim, Marlene foi eleita Rainha do Rádio de 1949, com 529.982 votos.

Desse modo, originou-se a famosa rivalidade entre os fãs de Marlene e Emilinha, uma rivalidade que, de fato, devia muito ao marketing e que contribuiu expressivamente para a popularidade espantosa de ambas as cantoras pelo país.

*

Em 1942, o Cineasta norte-americano Orson Welles estava filmando no Brasil o documentário inacabado "It's All True" (Tudo é Verdade). Enquanto permanecia no Rio de Janeiro, Welles iniciou um romance com Linda Batista, que era na época a cantora mais popular do Brasil e estrela absoluta do Cassino da Urca,  até que conhece Emilinha e começa a assediá-la, prometendo levá-la para Hollywood.
"Não tive caso com Welles. A verdade é que ele se apaixonou por mim, me assediou e não conseguiu. Eu era 'crooner' do Cassino da Urca. Welles estava sempre lá. Conversei umas três vezes com ele. Disse que me faria uma estrela. Não falava inglês e fiquei sem graça diante daquele americano grandão. Foi passageiro".
O anedotário do cassino registra que Linda rasgou o melhor vestido de Emilinha num surto de ciúme.
Desde essa época, Linda e Emilinha nunca mais se deram bem. 


domingo, 5 de fevereiro de 2017

BRAGUINHA



 . Rua Assis Brasil, 2 apto 802 - Copacabana


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Carlos Alberto Ferreira Braga conhecido como Braguinha (1907-2006), e também como João de Barro, é provavelmente o compositor de carreira mais longa no Brasil. Sua musicografia completa, inclusive com versões e músicas infantis, passa dos 420 títulos, uma das maiores e de maior número de sucessos de nossa música popular.

Carioca da Gávea, filho de um casal de classe média, no Colégio Batista, conheceu o violonista Henrique Brito, influência marcante em sua vida. Dessa parceria surgiu, em 1928, o grupo “Flor do Tempo”, que no ano seguinte passou a chamar-se "Bando dos Tangarás",  integrado também por Alvinho, Noel Rosa e Almirante.

Eclético, suas composições são conhecidas e cantadas por todos os brasileiros, desde a célebre Carinhoso, em parceria com Pixinguinha, e especialmente as marchinhas carnavalescas como Pirata da Perna de Pau, Chiquita Bacana, Touradas de Madri, A Saudade mata a Gente, Balancê, As Pastorinhas, Turma do Funil, Tem Gato na Tuba, "Yes, nós temos bananas" e A Mulata é a Tal, dentre outras.


Duas pessoas marcaram especialmente sua carreira: Alberto Ribeiro, seu maior parceiro, e Wallace Downey, um americano que o introduziu na indústria do cinema e dos discos. Com Alberto Ribeiro, escreveu argumentos e composições para a trilha sonora de filmes como "Alô, Alô, Brasil" e "Estudantes", cujo personagem principal foi interpretado por Carmem Miranda.

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Em 1938, passou a fazer dublagens para produções cinematográficas realizadas por Walt Disney, como"Branca de Neve e os Sete Anões”,"Pinóquio" , "Dumbo" e "Bambi".
  
Resultado de imagem para disquinhos infantis braguinha compositor Em 1938, casou-se com a professora Astréa RabeloCantolino. Com o nascimento de sua única filha, Maria Cecília, em 1939, dedicou-se às histórias infantis. Escreveu, adaptou e musicou várias delas, dentre as quais "Estória de Dona Baratinha", "Os Três Porquinhos" , A Formiga e a Cigarra"
e "Festa no Céu”
Se Maria Cecília chorasse, a historinha não era boa. Se ficasse contente, o caminho estava certo, pois "o importante é que as crianças gostem e fiquem felizes", dizia.

Como autor de versões, Braguinha se destacou em diversas composições com parceiros internacionais, como Charles Chaplin em "Luzes da Ribalta" e "Sorri”, e a versão da "Valsa da Despedida", tema do filme "A ponte de Waterloo”,juntamente com Alberto Ribeiro. Um de seus maiores sucessos internacionais "Copacabana", composta em 1944, foi gravada por Dick Farney, dois anos depois.
Recebeu várias homenagens em vida, como os espetáculos "O Rio Amanheceu Cantando", na boate Vivará, em 1975,  "Viva Braguinha", na Sala Sidney Miller, em 1983, 



no ano da inauguração do Sambódromo, 1984, foi tema da Mangueira, escola campeã daquele ano com o samba enredo "Yes, nós temos Braguinha", com samba de Jurandir, Hélio Turco, Comprido, Arroz e Jajá.




Braguinha foi vizinho ilustre na Tijuca, na Rua Barão de Pirassununga, 62 . Só foi morar na zona sul na década de 70. Vizinho ilustre de Copacabana, Braguinha e sua mulher viveram  num apartamento no oitavo andar de um prédio na  Rua Assis Brasil, 2 apartamento 802, esquina  com a Praça Cardeal Arcoverde.




Faleceu aos 99 anos, em 24 de dezembro de 2006.

Uma curiosidade:
Porque o pai de Braguinha, diretor da fábrica de tecidos Confiança, não gostava de ver o nome da família circulando no ambiente da música popular, mal visto na época, ele resolveu adotar um pseudônimo. Como estudante de arquitetura, na Escola Nacional de Belas Artes, escolheu  João de Barro. Nome de um pássaro... arquiteto, 



    O blog tem como tema nesse mês de FEVEREIRO... o CARNAVAL!
                             A cada semana um nome celebrando a festa!

Resultado de imagem para carnavalNOSSOS VIZINHOS ILUSTRES  de FEVEREIRO 
              
   .  João de Barro, o Braguinha
   .  Emilinha Borba
   .  Lamartine Babo
   .  Oswaldo Nunes

domingo, 29 de janeiro de 2017

RUBEM BRAGA


 . Rua Barão da Torre, 42 - Ipanema   

Considerado como um dos melhores cronistas brasileiros, Rubem Braga (1913-1990) lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho, em 1936.
Foi  correspondente de guerra junto à FEB (Força Expedicionária Brasileira), correspondente internacional de O Globo em Paris, em 1947, e do Correio da Manhã em 1950; embaixador do Brasil no Marrocos entre 1961 e 1963,  e escreveu ao longo de 62 anos de jornalismo, mais de 15 mil crônicas em diversos jornais brasileiros.

O cronista ficou famoso pelo seu temperamento introspectivo e por gostar da solidão. Segundo o crítico Afrânio Coutinho, a marca registrada dos textos de Rubem Braga foi a
       "crônica poética, na qual alia um estilo próprio a um intenso lirismo,
provocado pelos acontecimentos cotidianos, pelas paisagens,
pelos estados de alma, pelas pessoas, pela natureza."

Suas crônicas eram marcadas pela linguagem coloquial e pelas temáticas simples.  Mostrava seu estilo irônico, lírico e extremamente bem humorado. Mas sabia também ser ácido e escrevia textos duros defendendo os seus pontos de vista.

Falou em muitas de suas crônicas dos temas verão, mar, praia, e seus personagens como amigos, a viúva na praia, as meninas, as mulheres.

Natural de Cachoeiro do Itapemirim, no Rio de Janeiro, morou e foi nosso vizinho ilustre
  •  primeiro, numa pensão do Catete, onde foi companheiro de Graciliano Ramos;
  • depois, numa casa no Posto Seis, em Copacabana, na Rua Júlio de Castilho,78 , onde o telefone antigo era 27-2053.
  • e por fim no famoso apartamento de cobertura na Rua Barão da Torre, 42 ,em Ipanema, onde mantinha um jardim com pitangueiras, passarinhos, e tanque de peixes. 


Curiosidades:
  • Certa vez disse

    “Às vezes a gente parece que finge que trabalha; o leitor lê a crônica e no fim chega à conclusão de que não temos assunto. Erro dele. Quando não tenho nenhum frete a fazer, sempre carrego alguma coisa, que é o peso de minha alma, e olhem lá que não é pouco.”
Aliás, Manuel Bandeira dizia que o amigo Braga quando tinha assunto era magnífico, mas quando não tinha, era melhor ainda.
  • O acesso da estação de metrô de Ipanema na esquina das ruas Teixeira de Mello e Barão da Torre foi batizado com o nome do escritor, pois a passagem está próxima à famosa cobertura.




domingo, 22 de janeiro de 2017

DICK FARNEY




 . Rua Julio Ottoni, 459 - Santa Teresa   

Resultado de imagem para DICK FARNEYFarnésio Dutra e Silva, ou Dick Farney (1921-1987), consagrado cantor, pianista e compositor carioca ficou famoso como crooner da orquestra de Carlos Machado, apresentando-se no Cassino da Urca e seu repertório era repleto de sucessos da música norte-americana. 

Em 1946, foi convidado para ir para os Estados Unidos, depois de encontrar-se com o arranjador Bill Hitchcock e o pianista Eddie Duchin, no Hotel Copacabana Palace. 

Durante esta temporada, gravou o famoso tema jazzístico Tenderly, considerada a primeira gravação mundial da canção, a qual, mais tarde, se tornaria sucesso na voz de Nat King Cole.
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"Meia-Noite em Copacabana", show bem ao estilo da Broadway, com temas americanos e brasileiros, gravado ao vivo em 1956, e lançado pela gravadora Polydor, é considerado um marco para a bossa nova, devido à mistura de samba com jazz.

Resultado de imagem para disco dick farney gravadora elencoCom o advento do novo ritmo, grava, a convite de Aloysio de Oliveira, pela gravadora Elenco, o disco Dick Farney, com a participação especial de Norma Bengell. A faixa Você (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) é considerada uma das mais belas gravações da bossa nova.






Mas foram duas canções, que têm como tema nossas praias, que marcaram sua carreira: Teresa da Praia (de Tom Jobim e Billy Blanco)



e o samba-canção Copacabana, de Braguinha e Alberto Ribeiro.



Atuou também com sucesso nos primórdios da televisão brasileira. Em 1959, no programa Dick Farney Show, na TV Record - Canal 7 de São Paulo, e na recém-inaugurada TV Globo - Canal 4, Rio de Janeiro, apresentando o programa Dick e Betty 17, com Betty Faria.

 Dick Farney, que nos deixou há 30 anos, foi um ilustre morador da Rua Júlio Ottoni em Santa Teresa, e a casa de nº 459, onde ele nasceu e morou até 1960, ainda guarda a placa em sua homenagem.