sábado, 10 de junho de 2017

GRANDE OTELO



  . Rua Siqueira Campos, 210 - Copacabana  


Sebastião Bernardes de Sousa Prata era o nome verdadeiro de Grande Otelo (1915 - 1993), um grande ator, cantor e compositor.

Nascido na cidade mineira de Uberlândia, em 18 de outubro de 1915, o artista passou pelos palcos dos principais cassinos, dos grandes shows e do Teatro de Revista no Brasil e teve a vida marcada por tragédias. Seu pai morreu esfaqueado e sua mãe era alcoólatra. Outra grande tragédia viria a abalar, anos mais tarde, a vida de Otelo: sua mulher matou o filho do casal, de seis anos de idade, antes de se suicidar.

Ainda menino, Sebastião fugiu com uma Companhia de teatro mambembe, que passava por Uberlândia, tendo sido adotado pela diretora do grupo, Abigail Parecis, que o levou para São Paulo.

Mas ele fugiu de novo e, após várias entradas e saídas do Juizado de Menores, foi adotado pela família de Antônio de Queiroz, um político influente. A mulher de Queiroz, Dona Eugênia, tinha ido ao Juizado para conseguir uma ajudante para sua cozinha. Mas foi convencida pelo juiz a levar o menino, que sabia declamar, dançar e fazer graça.

Sebastião estudou no Colégio Sagrado Coração de Jesus, cursando somente até a terceira série ginasial. Ingressou, nos anos 20, na Companhia Negra de Revistas, cujo maestro era Pixinguinha, transferindo-se, em 1932, para a Companhia Jardel Jércolis, pai de Jardel Filho e um dos pioneiros do Teatro de Revista no Brasil. Ganhou, então, o apelido de Pequeno Otelo, mas ele preferiu "The Great Otelo", que, posteriormente traduzido para o português, transformou-se em Grande Otelo.

Nosso vizinho ilustre de Copacabana,  à Rua Siqueira Campos, 210 .


Nenhum texto alternativo automático disponível.

Autor da poesia intitulada “Eu sou o Rio”, como ele costumava se apresentar




Grande Otelo destacou-se no cenário cinematográfico brasileiro, durante seis décadas, tendo atuado em cerca de cem filmes, dos quais dez chanchadas de sucesso, ao lado de Oscarito, outro grande comediante da época  - nosso vizinho ilustre do post anterior - , como "Carnaval no Fogo", "Aviso aos Navegantes" e "Matar ou Correr".

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sentadas, pessoas em pé, chapéu e barbaAliás, o filme "Matar ou Correr" (1954) é uma das mais bem-sucedidas chanchadas da Atlântida. Carlos Manga dirigiu esta paródia do famoso filme western "High Noon" (Matar ou Morrer), com Gary Cooper. Foi o último filme de Oscarito e Grande Otelo juntos.



Com Oscarito, os dois comediantes satirizam trecho da peça Romeu e Julieta no filme Carnaval no fogo (1949), de Watson Macedo.


Em 1942, Grande Otelo conheceu o cineasta norte-americano Orson Welles, que, entusiasmado com o seu talento, convidou-o a participar do filme It's All True, filmado no Brasil e lançado por aquele diretor.
                                                                         
Durante as décadas de 60 e 80, participou de oito novelas na TV Globo, fazendo, principalmente, papéis cômicos. Um dos seus maiores sucessos na telinha foi a novela Feijão Maravilha, de 1979.

Em 1967 fez um desabafo

recorte de 27 maio de 1967

Como compositor, teve como parceiros, dentre outros, Herivelto Martins em Praça Onze  e Vida Vazia




 e Monsueto, em A Fonte Secou.



Seu papel em Macunaíma, o herói sem escrúpulos, de Mário de Andrade, em sua versão cinematográfica, dirigida por Joaquim Pedro de Andrade, marcou sua carreira, sendo inesquecível a cena de seu nascimento.

Como ator dramático, Grande Otelo atuou em vários filmes, dentre os quais destacam-se: Lúcio Flávio - Passageiro da Agonia e Rio, Zona Norte.

Em 1993, Grande Otelo morreu de enfarte ao desembarcar na França, onde receberia uma homenagem no Festival de Nantes.

Curiosidade:

No filme  Fitzcarraldo (1982), do alemão Werner Herzog, filmado na selva do Peru, Otelo precisava fazer uma cena em inglês, mas resolveu falar espanhol. Quando o filme estreou na Alemanha, aquela foi a única cena aplaudida pelo público.


Um comentário:

anafeiga disse...

Parabéns! Adorei relembrar Grande Otelo.
Ana Feiga