domingo, 1 de abril de 2018

Nossos Vizinhos Ilustres e os 60 anos da Bossa-Nova


Comemorando a Bossa-Nova
através de duas ilustres cariocas.



1958 foi o ano da Bossa Nova. 

O gênero musical tornou-se um dos movimentos mais influentes da história da música popular brasileira e ficou conhecido em todo o mundo.


Em comemoração ao aniversário desses 60 anos  

passeamos por dois endereços 
de excepcionais cantoras, 
nossas vizinhas ilustres 
que deram voz à novidade musical: 



Elizeth Cardoso 
Silvinha Telles.


***


ELIZETH CARDOSO


  . Rua Ceará, 5 - São Francisco Xavier   

Foi descoberta aos 16 anos por Jacob do Bandolim, que a levou para cantar na Rádio Guanabara.

Imagem relacionadaSua trajetória artística começou pela família: ela era toda musical. O pai, Jaime Moreira Cardoso, que era seresteiro e tocava violão. A cantora também convivia com os músicos e religiosos que frequentavam a casa da tia Ciata, na Cidade Nova.

Depois de trabalhar em várias rádios, boates, casas noturnas e ser crooner de orquestra, em 1958 gravou o antológico disco "Canção do Amor Demais", com músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, considerado marco inaugural da Bossa Nova.





Elizeth foi uma das maiores divas da canção brasileira e lançou mais de 40 LPs.
Vários apelidos lhe foram dados, como “A Magnífica” (apelido dado por Mister Eco), a “Enluarada” (por Hermínio Bello de Carvalho) mas de todos, o apelido dado por Haroldo Costa, “A Divina”, foi o que mais ficou associado à cantora.

Além do choro, Elizeth consagrou-se como uma das grandes intérpretes do gênero samba-canção e teve grande ligação com o samba, que fez-se mais forte depois da participação no show "Rosa de Ouro", que originou o LP "Elizeth Sobe o Morro", um de seus discos mais importantes, ao lado de "A Enluarada Elizeth", que contou com a participação de Pixinguinha, Cartola, Clementina de Jesus.Um dos seus maiores sucessos foi Barracão de zinco (Luís Antônio e Oldemar Magalhães).

Elizeth passou por vários endereços no Rio.
Alguns deles são:

. Rua Ceará, 5, estação de São Francisco Xavier - também uma casa de cômodos.  Onde nasceu.
Esta rua desapareceu no início dos anos 1960 para dar passagem à avenida Marechal Rondon; 
Rua do Resende, 87, no Centro - uma casa de cômodos onde a família ocupou dois cômodos; 
. Rua Senador Euzébio, 45, junto à antiga Praça Onze, que também desapareceu com a construção da avenida Presidente Vargas; 
. Rua São José, 8, num quarto do terceiro andar, num prédio ocupado pela Camisaria Fluminenese;


Nos anos 60 apresentou o programa de televisão Bossaudade , grande sucesso da TV Record, Canal 7, de São Paulo.



Certa vez Vinícius de Moraes, pra ela escreveu uma crônica. Foi em 12 de julho de 1953, intitulada - A Grande Elizeth. Em determinado trecho, diz:

"Elizeth Cardoso me pegou de surpresa, a primeira vez, quando de minha chegada dos Estados Unidos, em fins de 1950, com sua magistral interpretação de “Canção de Amor”, um samba com uma linda melodia e uma letra fraca, mas que, na voz dessa grande dama da música popular brasileira, conseguiu me revirar completamente...  
...uma voz rara entre nossas intérpretes, pois une as qualidades de uma boa voz erudita às de uma gostosa voz popular.
No ano passado encontrei Elizeth em Paris, onde tinha ido o falado baile do gracioso Jacques Fath. Uma tarde, nós pegamos Ademilde Fonseca e ela, e fomos comer ‘paella” valenciana no famoso “Maitena” - um restaurante de tradição, no Boulevard St. Germain. Quase não havia ninguém, e ficamos por ali, comendo o nosso arroz e traçando um vinhozinho, até que deu saudades da Pátria Amada e as duas morenas puseram-se a cantar só para nós.E foi aquele cantar e aquele chorar sem conta. Uma beleza."

Curiosidades

. Elizeth fazia muito sucesso na boate Sacha. Para facilitar a ida e vinda de sua casa em Bonsucesso para a boate, que ficava no Leme, a cantora alugou um apartamento no mesmo prédio da boate. Inexplicavelmente no dia 14/8/1954, ela havia dormido em Bonsucesso quando soube, pelo rádio, que a boate tinha pegado fogo. Ela podia ser uma vítima.


Na gra­va­ção de ‘Che­ga de sa­u­da­de’ Eli­zeth er­rou a le­tra. Em vez de can­tar ‘pa­ra aca­bar com es­se ne­gó­cio de vo­cê vi­ver sem mim’, can­tou ‘pra aca­bar com es­se ne­gó­cio de ja­mais vi­ver sem mim’.
Até hoje não se sabe co­mo os au­to­res dei­xa­ram pas­sar.


Nenhum comentário: